Polícia encontra mansão atribuída a Peixão durante operação no Complexo de Israel

Polícia encontra mansão atribuída a Peixão durante operação no Complexo de Israel

Imóvel de luxo tinha vários andares, acabamentos em mármore e porcelanato, academia, jacuzzi e churrasqueira; em outra construção, agentes localizaram uma estrutura com aberturas para posicionamento de fuzis

Agentes da Polícia Civil localizaram, nesta terça-feira (25), uma das casas atribuídas ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do Terceiro Comando Puro, durante a operação conjunta no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.

A residência chama a atenção pelo padrão de acabamento e pela estrutura. O imóvel possui mais de um andar, com ambientes revestidos em porcelanato e mármore. Em um dos cômodos, um versículo bíblico estava escrito no espelho do closet.

Na área externa, os policiais encontraram uma jacuzzi, espreguiçadeiras e churrasqueira. Um dos pavimentos da casa era destinado a uma academia. Ninguém estava no imóvel quando os agentes chegaram.

Durante a ação, outro imóvel chamou a atenção das equipes por sua função estratégica. A construção, feita de tijolos, possuía aberturas conhecidas como “seteiras”, estruturas utilizadas para posicionar armas durante confrontos. Os pontos de observação e tiro estavam voltados para a linha férrea e para imóveis da região.

A operação reúne forças das polícias Civil e Militar e tem como base investigações conduzidas pela 38ª DP (Brás de Pina). O objetivo é cumprir dezenas de mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento em diferentes crimes.

Até a última atualização, três mandados de prisão haviam sido cumpridos. Entre os presos está Luana Rosa de Araújo, conhecida como “Madrinha da Cidade Alta” e apontada pelas investigações como braço direito de Peixão.

Também foram realizadas duas prisões em flagrante. Os agentes apreenderam duas réplicas de metralhadoras calibre .50 e drogas diversas. A Polícia Militar informou ainda que conseguiu impedir o roubo de duas carretas carregadas de cerveja.

A residência atribuídas ao traficante Peixão chama a atenção pelo padrão de acabamento e pela estrutura.

Nova etapa da ocupação

A ofensiva desta terça-feira ocorre após uma sequência de operações realizadas nos últimos dias no Complexo de Israel.

Na sexta-feira (21), a Polícia Militar iniciou a primeira fase da ocupação pela Cidade Alta. A chegada das equipes foi marcada por intenso tiroteio, e a Avenida Brasil precisou ser interditada preventivamente. Policiais encontraram barricadas e veículos com explosivos que, segundo a corporação, seriam utilizados contra as forças de segurança.

Um motorista de ônibus foi atingido por uma bala perdida e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. Um homem morreu durante um confronto, e os policiais apreenderam um fuzil e uma pistola.

Na madrugada de segunda-feira (24), a segunda fase da ocupação teve início em Vigário Geral e Parada de Lucas. Novamente houve confrontos e interdições temporárias da Avenida Brasil, da Linha Vermelha e da Rodovia Washington Luís.

Horas depois, criminosos incendiaram quatro caminhões na Avenida Brasil, provocando o fechamento dos dois sentidos da via. Segundo a PM, quatro homens foram presos.

Ainda na segunda-feira, imagens obtidas pela TV Globo mostraram homens armados com fuzis dentro de uma unidade da Águas do Rio, na Pavuna. Conforme relatos, eles teriam procurado refúgio no local após a operação policial.

O objetivo da operação é cumprir dezenas de mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento em diferentes crimes.

As ações realizadas desde sexta-feira também provocaram impactos na rotina da região. Escolas e unidades de saúde tiveram o funcionamento alterado, enquanto linhas de ônibus precisaram modificar seus itinerários.

Segundo o governo do estado, as investigações que deram origem à operação envolveram análise de dados, cruzamento de informações, diligências de campo, coleta de provas e depoimentos. O trabalho permitiu identificar integrantes da organização criminosa e o papel atribuído a cada um nos crimes investigados.