
(*) Jorge Gama
Em 2026, estarão presentes todos os requisitos formais de uma eleição democrática, exceto a adoção do voto auditável. Haverá campanhas abastecidas por recursos públicos, redes sociais em plena atividade, escândalos em profusão e um número recorde de partidos políticos.
A esse cenário se somará uma quantidade impressionante de institutos de pesquisa, divulgando números por meio de um contorcionismo metodológico capaz de deixar qualquer ilusionista perplexo.
Em meio à polarização absoluta, os candidatos periféricos serão quase figurantes. Disputarão um espaço secundário, muitas vezes já cientes de que aguardarão o segundo turno para, então, aderir a um dos candidatos mais votados.
Em uma campanha radicalizada, a tática substituirá a estratégia. Cada candidato será levado a atuar no campo emergencial, preso ao permanente jogo de ataque e defesa.
A cada novo escândalo — e o estoque parece inesgotável — haverá uma acusação imediata e uma defesa veemente, com ou sem fundamento.
Recentemente, uma autoridade resumiu a gravidade dos casos de corrupção em uma expressão marcante: “Quando se puxa uma pena, sai uma galinha.”
Nesse ambiente, não haverá espaço para discutir reformas na Constituição ou nas leis. A reforma tributária já aprovada terá sua implementação temida pelos setores atingidos, e a aplicação das novas regras também dependerá do resultado eleitoral.
Chegaremos, assim, a 2026 diante de uma realidade conhecida: teremos mais uma eleição, mas não as reformas de que o país necessita. A disputa ocupará o centro do palco, enquanto as questões estruturais continuarão à espera de uma oportunidade.
Ainda podemos fazer uma escolha: permanecer diante da crise atual ou aguardar uma nova opção para um novo momento.
(*) Jorge Gama é Advogado e ex-Deputado Federal.
