Em entrevista à Globo, Flávio Bolsonaro rebate críticas, defende pai e promete vitória no 1º turno

Em entrevista à Globo, Flávio Bolsonaro rebate críticas, defende pai e promete vitória no 1º turno


Senador do PL afirmou que respeitará o processo eleitoral, negou irregularidades no financiamento de filme sobre o pai e apresentou suas principais propostas e posições para a disputa presidencial

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, foi entrevistado nesta sexta-feira (28) pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Durante a conversa, o candidato abordou sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado e preso, voltou a defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF), comentou as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e falou sobre o processo eleitoral de 2026.

Um dos principais temas da entrevista foi o pedido de patrocínio feito por Flávio a Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, obra sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Áudios revelados em maio mostraram o senador solicitando R$ 61 milhões ao então banqueiro para viabilizar o projeto.

Flávio afirmou que não vê irregularidade na negociação e sustentou que os recursos não foram destinados a ele pessoalmente.

“Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, declarou.

Segundo o candidato, a decisão de buscar financiamento privado teve como objetivo garantir a realização do filme sem utilização de recursos públicos. Ele também afirmou que sua relação com Vorcaro se limitava ao projeto cinematográfico.

“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, afirmou.

Questionado sobre a falta de informações detalhadas a respeito da origem, movimentação e aplicação dos recursos, Flávio disse que a produtora responsável apresentou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias que havia sido estabelecido por ele.

O senador, entretanto, não apresentou durante a entrevista documentos como planilhas de custos ou o contrato firmado para o financiamento do filme. Segundo reportagem do g1, um perito contratado pela produtora afirmou não ter tido acesso a informações completas sobre o fundo americano que teria recebido recursos ligados a Vorcaro.

Flávio reiterou que a produção não utilizou dinheiro público e afirmou que o custo final da obra teria ultrapassado o valor obtido por meio do patrocínio.

Relação com Vorcaro

Ao ser questionado sobre uma visita feita ao ex-banqueiro no fim de 2025, quando Vorcaro já havia sido preso e utilizava tornozeleira eletrônica, Flávio não respondeu diretamente se considerava o encontro adequado.

O candidato negou ter oferecido qualquer tipo de favorecimento ao empresário e afirmou que a relação entre os dois era de caráter privado. Em seguida, direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Quem deve explicações é o Lula”, afirmou, ao mencionar uma suposta reunião entre o presidente e um banqueiro.

Daniel Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por suspeitas que incluem crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.

Defesa de Jair Bolsonaro

Outro momento de destaque da entrevista ocorreu quando Flávio Bolsonaro foi questionado sobre as garantias de que, caso eleito, respeitaria as instituições democráticas e não tentaria uma ruptura institucional.

O candidato criticou a condenação de Jair Bolsonaro pelo STF e classificou o processo contra o ex-presidente como uma tentativa de afastá-lo definitivamente da vida pública.

“Uma grande farsa foi armada para tirar Bolsonaro da vida pública”, declarou.

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, entre outras acusações. Flávio contestou o julgamento e criticou especialmente o ministro Alexandre de Moraes.

Ao ser questionado sobre depoimentos de militares que relataram discussões e pressões relacionadas a uma possível ruptura institucional, o senador minimizou as acusações e afirmou que eventuais responsabilidades deveriam recair individualmente sobre os envolvidos.

Sobre um documento atribuído ao general Mario Fernandes que previa ações contra autoridades da República, Flávio declarou que, caso o militar tenha participado da elaboração do plano, a responsabilidade seria exclusivamente dele.

O candidato também voltou a defender mudanças na relação entre os Poderes e afirmou que pretende promover o que classificou como maior segurança jurídica no país.

“Sou o único candidato que pode trazer segurança jurídica de volta. Sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar para que o Supremo volte a cumprir a Constituição”, disse.

Tarifas e defesa de Eduardo Bolsonaro

Flávio Bolsonaro também responsabilizou o governo Lula pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros durante o governo de Donald Trump.

Segundo o candidato, declarações e posições adotadas pelo presidente brasileiro contribuíram para o agravamento das relações comerciais entre os dois países.

“Foi o Lula que cavou com força. O Lula procurou muito essa tarifa”, afirmou.

O senador reconheceu, porém, que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, errou ao agradecer publicamente pela imposição das tarifas. Apesar disso, negou que o deputado cassado tenha sido responsável pela decisão do governo norte-americano.

Flávio afirmou ainda que Eduardo está nos Estados Unidos realizando um trabalho para divulgar internacionalmente sua visão sobre a situação política brasileira.

Urnas eletrônicas e resultado das eleições

Questionado sobre declarações feitas no passado a respeito das urnas eletrônicas, Flávio Bolsonaro afirmou que respeitará o processo eleitoral e o resultado das eleições.

O candidato reconheceu ter cometido um erro ao associar uma empresa venezuelana à fabricação das urnas utilizadas no Brasil.

“Falei errado”, admitiu.

Apesar disso, afirmou que jamais questionou oficialmente a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro e reforçou que pretende respeitar o processo democrático.

Quando perguntado se aceitaria o resultado caso fosse derrotado, no entanto, Flávio evitou responder diretamente. Questionado mais de uma vez sobre a possibilidade, afirmou estar confiante na vitória.

“Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: vou ganhar no primeiro turno”, declarou.

Série de entrevistas

A participação de Flávio Bolsonaro foi a quinta de uma série de entrevistas promovidas pela Globo com candidatos à Presidência da República. Antes dele, participaram Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição.

Os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto foram convidados para a série. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com acompanhamento de representantes das legendas.