Duque de Caxias recebe obra de R$ 300 milhões para reduzir despejo de esgoto na Baía de Guanabara

Duque de Caxias recebe obra de R$ 300 milhões para reduzir despejo de esgoto na Baía de Guanabara

Projeto da Águas do Rio beneficiará cerca de 170 mil moradores, implantará 22 quilômetros de redes subterrâneas e utilizará tecnologia semelhante à empregada em obras de metrô

Duque de Caxias começa a receber, nesta terça-feira (1º), um dos maiores investimentos em saneamento de sua história recente. Com aporte de R$ 300 milhões, a Águas do Rio inicia a implantação do Coletor em Tempo Seco do Rio Farias, projeto que promete impedir que mais de 29 milhões de litros de esgoto sejam lançados diariamente no curso d’água que segue em direção à Baía de Guanabara.

O volume, equivalente a cerca de 11 piscinas olímpicas por dia, passará a ser interceptado e encaminhado para tratamento. A iniciativa deverá beneficiar aproximadamente 170 mil moradores e levar melhorias ambientais e sanitárias a bairros como Parque Fluminense, Chácaras Arcampo, Pilar, Campos Elíseos, Jardim Nossa Senhora do Carmo, Cângulo, Jardim Primavera, Jardim Rosário e Saracuruna.

Águas do Rio inicia a implantação do Coletor em Tempo Seco do Rio Farias

Além da construção do coletor, o projeto prevê uma ampla estrutura de saneamento, com 22 quilômetros de novas redes subterrâneas, 54 pontos de captação em tempo seco, onze estações de bombeamento e a implantação da futura Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Farias.

Um dos diferenciais da obra será o uso de tecnologia para reduzir os impactos no cotidiano da população. Cerca de 9,8 quilômetros das tubulações serão instalados com os chamados “tatuzinhos”, equipamentos capazes de avançar pelo subsolo e implantar redes sem a necessidade de grandes escavações nas vias.

A técnica, amplamente utilizada em projetos metroviários, deve minimizar intervenções no asfalto, reduzir transtornos no trânsito e permitir que a expansão da infraestrutura aconteça com menor impacto para moradores e comerciantes.

Para Samuel Augusto, diretor-executivo da Águas do Rio, a obra representa mais do que uma intervenção de engenharia. Segundo ele, o investimento pode promover mudanças diretas na saúde e na qualidade de vida das comunidades atendidas.

“Cuidar do Rio Farias é cuidar das pessoas que vivem ao seu redor. Com menos esgoto nos rios e canais, a população ganha em saúde, qualidade de vida e valorização dos imóveis. A ampliação do saneamento contribui para prevenir doenças, reduzir odores e melhorar as condições ambientais”, destacou.

A implantação do Coletor em Tempo Seco do Rio Farias promete impedir que esgoto sejam lançados no curso d’água

Proteção para crianças

Os impactos da falta de infraestrutura sanitária fazem parte da realidade de muitas comunidades da região. Em Campos Elíseos, a proximidade de unidades escolares com canais expostos aumenta a preocupação de profissionais da educação e famílias, especialmente durante períodos de chuvas intensas.

Ana Carolina de Souza, educadora da Creche e Pré-Escola Susana Naspolini, relata que o transbordamento de um canal próximo à instituição já provocou momentos de apreensão.

“Quando a falta de saneamento está tão próxima de uma escola, a preocupação é permanente. Temos um canal perto da unidade que já transbordou em períodos de chuvas intensas e já recebemos relatos de alunos com gastroenterite e problemas de pele. Estamos falando de crianças pequenas, que deveriam ter garantido um ambiente seguro para aprender e se desenvolver”, afirmou.

Para a educadora, investimentos no setor ultrapassam a questão da infraestrutura urbana e representam também uma medida de proteção à infância e às famílias.

Os impactos da falta de infraestrutura sanitária fazem parte da realidade de muitas comunidades da região

Tecnologia para transformar a cidade

A utilização dos “tatuzinhos” é apontada como uma das principais inovações da intervenção em Duque de Caxias. Os equipamentos trabalham no subsolo enquanto instalam as tubulações, evitando a abertura de extensas valas e diminuindo os transtornos provocados por obras convencionais.

A expectativa é que a tecnologia permita acelerar a implantação da rede de esgoto, preservando a mobilidade urbana e reduzindo os impactos sobre ruas, calçadas e atividades comerciais.

Recuperação da Baía de Guanabara

A nova obra em Duque de Caxias integra um conjunto maior de investimentos voltados à recuperação dos rios e canais que desembocam na Baía de Guanabara.

Na Baixada Fluminense, o primeiro Coletor em Tempo Seco entrou em operação em fevereiro de 2025, em Mesquita. A estrutura passou a interceptar mais de 15 milhões de litros de esgoto por dia que anteriormente eram despejados nos rios Dona Eugênia e Sarapuí.

Até 2033, a Águas do Rio prevê investir R$ 19 bilhões em ações de saneamento nas 27 cidades fluminenses onde atua. Desse montante, R$ 2,7 bilhões deverão ser direcionados à expansão dos sistemas de coletores em tempo seco.

A projeção é impedir que aproximadamente 1,3 bilhão de litros de água contaminada com esgoto cheguem diariamente à Baía de Guanabara, beneficiando cerca de 10 milhões de pessoas e contribuindo para a recuperação de um dos mais importantes ecossistemas do estado.

Com o início das obras do Rio Farias, Duque de Caxias passa a ocupar posição estratégica nesse processo, combinando tecnologia, infraestrutura e investimentos ambientais em uma intervenção que pode transformar a relação de milhares de moradores com os rios e canais da cidade.