Nilópolis transforma encerramento do Agosto Lilás em ato coletivo pela vida das mulheres
Seminário reuniu autoridades, especialistas e sociedade civil, marcou a posse do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e reforçou que o enfrentamento à violência precisa ultrapassar campanhas e se tornar compromisso permanente

Não foi apenas o encerramento de uma campanha. O encontro realizado na Câmara Municipal de Nilópolis, no último dia 28, transformou o Agosto Lilás em um grande chamado coletivo pela defesa da vida, da dignidade e do direito das mulheres de viverem sem medo.
Com debates, relatos, manifestações culturais e a participação de profissionais ligados à rede de proteção, o seminário “Agosto Lilás – 20 anos da Lei Maria da Penha: Quantas vidas ainda precisam ser perdidas para que a violência contra a mulher seja inaceitável?” reuniu diferentes vozes em torno de uma mesma urgência: combater a violência antes que ela produza novas vítimas.
O evento, promovido pelo CREAM-Nilópolis/Casa da Mulher Nilopolitana, ligado à Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania, também marcou um importante avanço institucional para o município: a posse dos integrantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Nilópolis.

A nova composição, formada por representantes do poder público e da sociedade civil, passa a ter papel fundamental no acompanhamento e na construção de políticas públicas voltadas à proteção, autonomia e garantia dos direitos das mulheres.
Para a presidente da Comissão da Mulher da Câmara Municipal, Cristiane Ribeiro, o enfrentamento à violência exige uma atuação conjunta e permanente.
“É uma oportunidade para ampliar o debate e reafirmar que nenhuma forma de violência contra a mulher pode ser naturalizada”, destacou.
Uma rede que precisa estar sempre presente
Ao longo da programação, especialistas de diferentes áreas mostraram que a violência contra a mulher não pode ser enfrentada por uma única instituição. Polícia, Justiça, educação, saúde, assistência social e sociedade civil precisam atuar de forma integrada para acolher vítimas e interromper ciclos de agressão.
Participaram do encontro a secretária municipal de Educação, Flávia Rocha, representando o prefeito Abraãozinho; a diretora-geral do Departamento Geral de Polícia de Atendimento à Mulher (DGPAM), Gabriela Bon Beauvais; as delegadas Mônica Areal, da DEAM de Nova Iguaçu, e Fernanda Fernandes, da DEAM de Belford Roxo.
O seminário também reuniu Maria dos Anjos Camardela, primeira delegada titular da DEAM de Nova Iguaçu, o psicólogo Paulo Sarcon, integrante do Grupo Reflexivo SER H – Escola de Homens: Educação Ressocializadora, a dentista Patrícia Matos Robbes e a professora universitária e psicóloga Christiane Penha.
Os debates abordaram desde a importância da denúncia e dos mecanismos legais de proteção até o acolhimento humanizado das vítimas, os efeitos da violência na saúde física e emocional e a necessidade de desenvolver ações voltadas também aos homens autores de agressões.
Representando o Poder Executivo, Flávia Rocha ressaltou que o enfrentamento à violência passa, necessariamente, pela construção de oportunidades e pelo fortalecimento da autonomia feminina.
Educação, saúde, assistência social, qualificação profissional, geração de renda e garantia de direitos foram apontadas como áreas fundamentais para que mulheres possam reconstruir suas trajetórias e romper situações de dependência e vulnerabilidade.
Quando a informação encontra a emoção
A programação não ficou restrita às palestras. A arte também ocupou espaço no encontro com a apresentação do Grupo de Dança de Ritmos, coordenado pela professora Jack Maravilha, que levou leveza e energia ao público.
Mas foi no encerramento que a emoção ganhou ainda mais força.

O depoimento de Mauricelia Silva trouxe para o centro do debate uma dimensão que nenhuma estatística consegue traduzir completamente: a história de quem viveu a violência e encontrou forças para romper o ciclo.
Seu relato de superação reforçou uma das principais mensagens do seminário: por trás de cada caso existe uma mulher, uma história e uma vida que precisa encontrar acolhimento, proteção e caminhos para recomeçar.
Para a superintendente dos Direitos da Mulher, Nilcea Clara Cardoso, o Agosto Lilás precisa deixar resultados que permaneçam mesmo depois do fim da campanha.
Responsável pela organização e planejamento do evento ao lado do subsecretário de Cidadania e Direitos Humanos, Rafael Abreu, Nilcea destacou que o objetivo é fortalecer uma rede capaz de transformar informação em proteção concreta.
“Este seminário representa a união de diferentes saberes e instituições em defesa de uma mesma causa: a vida, a dignidade e os direitos das mulheres. Não queremos apenas falar sobre violência; queremos fortalecer caminhos para que a mulher possa romper o ciclo da violência, reconstruir sua vida e exercer plenamente sua cidadania”, afirmou.
Ao completar duas décadas, a Lei Maria da Penha continua sendo um marco na proteção às mulheres brasileiras. Mas o encontro realizado em Nilópolis deixou uma reflexão que ultrapassa os números e os discursos: nenhuma legislação é suficiente se a sociedade continuar silenciando diante da violência.
Mais do que encerrar o Agosto Lilás, o seminário reafirmou que a luta precisa continuar todos os dias — dentro das instituições, nas famílias, nas escolas e em toda a sociedade.
Em Nilópolis, o CREAM/Casa da Mulher Nilopolitana segue como uma das portas de acolhimento para mulheres que precisam de orientação, proteção e apoio para reconstruir suas vidas.
Serviço
CREAM-Nilópolis/Casa da Mulher Nilopolitana
Rua Antônio João Mendonça, nº 65, Centro, Nilópolis
Telefone: 3030-8627
E-mail: casadamulherdenilopolis@gmail.com














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