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Garotinho promete cortar R$ 12 bilhões em incentivos e criar “Bope 2.0” no Rio

Garotinho promete cortar R$ 12 bilhões em incentivos e criar “Bope 2.0” no Rio

Candidato ao governo do estado também defende redução das tarifas de transporte, revisão da concessão da Cedae e ampliação do ensino integral com foco em tecnologia

O candidato do Republicanos ao governo do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, apresentou nesta segunda-feira (14), em entrevista ao RJ1, um pacote de propostas que envolve revisão dos incentivos fiscais, redução das tarifas de transporte, mudanças na segurança pública e novas políticas para educação e saneamento.

Na área econômica, Garotinho afirmou que pretende cortar R$ 12 bilhões dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado. Segundo o candidato, atualmente seriam destinados cerca de R$ 24 bilhões em benefícios a empresas e metade desse valor poderia ser revista.

“O estado dá R$ 24 bilhões de incentivo fiscal para empresa que não precisa. Eu vou cortar R$ 12 bilhões”, afirmou. Para Garotinho, o principal problema das contas públicas fluminenses não seria a falta de recursos, mas a corrupção e a gestão.

Segurança com ocupação permanente

Uma das principais propostas apresentadas pelo candidato é a criação do chamado “Bope 2.0”, grupo que teria como objetivo ocupar permanentemente comunidades dominadas pelo crime organizado.

Garotinho pretende aproveitar policiais atualmente lotados em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), além de convocar policiais concursados e submetê-los a um novo treinamento.

A estratégia prevê integração entre Polícia Militar, Polícia Civil e setores de inteligência. Antes das operações, investigadores fariam o levantamento de criminosos com mandados de prisão e identificariam pontos utilizados para armazenamento de armas e drogas.

O candidato também defendeu a participação das Forças Armadas no cerco das comunidades, sem atuação direta dentro dos territórios.

“Um grupo faz o cerco, o Bope ocupa, a Polícia Civil investiga e prende e a tropa social dialoga com a comunidade”, explicou.

A proposta inclui ainda uma chamada “tropa social”, formada por programas do governo estadual que seriam levados às áreas ocupadas. A intenção, segundo Garotinho, é evitar que as forças policiais deixem os locais depois das operações.

Passagens até 12% mais caras

No transporte público, Garotinho afirmou que um levantamento realizado por sua equipe aponta que as tarifas na Região Metropolitana estão pelo menos 12% acima do que considera adequado.

O candidato disse que pretende rever os cálculos e não descartou uma nova redução das tarifas. Ele lembrou que, durante sua gestão anterior, houve redução de 15%.

Garotinho também criticou a fiscalização do sistema de transporte e defendeu mudanças nos critérios utilizados para definir os valores das passagens.

Cedae pode ter concessão revista

Outro ponto polêmico da entrevista foi a concessão dos serviços da Cedae. Garotinho afirmou que poderá avaliar o rompimento dos contratos caso sejam confirmadas irregularidades no processo de privatização.

O candidato também criticou os valores atualmente cobrados pelos serviços de água e esgoto e declarou que considera haver indícios de fraude que precisam ser investigados.

Educação com tecnologia

Na educação, Garotinho prometeu ampliar o ensino em tempo integral e aumentar a presença de tecnologia nas escolas estaduais.

A proposta prevê que os estudantes tenham as disciplinas tradicionais em um turno e atividades ligadas à tecnologia no outro. O candidato defendeu a modernização da estrutura escolar e afirmou que os jovens precisam estar preparados para um mercado de trabalho cada vez mais digital.

Garotinho também prometeu pagar o piso nacional dos professores e criar programas de capacitação profissional, com participação da Faperj.

Série de entrevistas

A entrevista de Garotinho faz parte da série realizada pela Globo com os candidatos ao governo do Rio que alcançaram pelo menos 5% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro.

A programação segue nesta terça-feira (15), com Douglas Ruas (PL), e na quarta-feira (16), com Eduardo Paes (PSD).