Confrontos durante operação da PM mudam rotina de moradores no Complexo da Maré
Ação em quatro comunidades deixou 12 pessoas baleadas, provocou fechamento de escolas e unidades de saúde e terminou com sete prisões

Moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, enfrentaram uma manhã marcada por tiros, barricadas em chamas e intensa movimentação de veículos blindados durante uma operação da Polícia Militar nesta segunda-feira (28). A ação, realizada em quatro comunidades, alterou o funcionamento de escolas e unidades de saúde e deixou ao menos 12 pessoas baleadas.
Entre os atingidos estão um adolescente de 15 anos e um policial militar. Um homem morreu. Um menino de 12 anos também foi ferido por estilhaços de uma granada. Segundo moradores, o artefato teria sido lançado por criminosos durante os confrontos. A Polícia Militar não havia comentado essa versão até a última atualização.
A movimentação começou durante a madrugada e ocorreu em áreas como Vila do João, Baixa do Sapateiro e Morro do Timbau. Cerca de 200 policiais foram mobilizados, com participação de equipes especializadas e apoio de sete blindados e aeronaves.
Moradores relatam tensão
A operação aconteceu em um período em que moradores ainda circulavam pela região por causa de uma festa de São Cosme e São Damião. Segundo relatos, a presença de crianças nas ruas aumentou a preocupação durante os momentos de confronto.

O motorista Éverton Pereira, morador da Maré, afirmou que a chegada dos blindados provocou apreensão entre os moradores. Ele também relatou que um veículo policial teria arrastado um carro estacionado.
“Era meia-noite, e havia muitas crianças na rua por causa de uma festa de Cosme e Damião. Não respeitaram os moradores. Entraram com o caveirão, arrastando carros. Há vídeos que comprovam a situação. Foi uma grande falta de respeito com os moradores”, disse.
Durante a operação, criminosos atearam fogo a barricadas. A Polícia Militar afirmou que houve confronto no início da ação, mas que a situação ficou mais tranquila posteriormente.
O porta-voz da corporação, major Maicon Pereira, informou que as equipes conseguiram estabilizar a área e que policiais do Batalhão de Ações com Cães fariam uma varredura nos locais onde houve atuação.
Armas e drogas são apreendidas
Segundo a PM, a operação teve como foco o combate a grupos envolvidos com o tráfico de drogas e a circulação de armamentos na região.

Ao final das ações, os policiais informaram ter apreendido 12 fuzis, cinco pistolas, granadas e drogas (foto). Sete homens foram presos.
Participaram da operação policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e Batalhão de Ações com Cães (BAC).
Serviços públicos interrompidos
A violência também afetou a rotina de serviços essenciais.
A Secretaria Municipal de Educação informou que 41 escolas municipais não funcionaram. Na rede estadual, duas unidades permaneceram fechadas.
Na área da saúde, quatro unidades de atenção primária suspenderam o atendimento.
Os feridos foram levados para o Hospital Federal de Bonsucesso e para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.
Ministério Público acompanha a ação
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que foi comunicado pela Polícia Militar às 1h54 sobre operações planejadas na Vila do João, Baixa do Sapateiro e Timbau.
Segundo o MPRJ, a PM informou que a ação tinha entre seus objetivos verificar informações de inteligência sobre integrantes de organizações criminosas envolvidas na disputa territorial, além de localizar suspeitos de roubos de veículos e tráfico de drogas.
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ) acompanha o caso e solicitou os registros das ocorrências. O órgão também informou que pretende preservar as imagens captadas pelas câmeras operacionais utilizadas pelos policiais.
Depois das primeiras diligências, o material será encaminhado ao promotor de Justiça responsável pelo acompanhamento das investigações.
Imagem: Reprodução














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