Casa do Menor, em Nova Iguaçu, recebe visita de Eduardo Paes, Pedro Paulo, Benedita e André Ceciliano

Casa do Menor, em Nova Iguaçu, recebe visita de Eduardo Paes, Pedro Paulo, Benedita e André Ceciliano

Visita de Benedita da Silva, Eduardo Paes, Pedro Paulo e André Ceciliano reforça a importância de políticas públicas integradas de assistência social, educação, capacitação e geração de renda para transformar a realidade de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade

(*) Por Geraldo Perelo

Em uma região marcada por desigualdades históricas, onde o acesso à renda, à educação, à infraestrutura e às oportunidades ainda determina o futuro de milhares de famílias, a Casa do Menor São Miguel Arcanjo, em Miguel Couto, Nova Iguaçu, tornou-se, ao longo de quatro décadas, um símbolo de que proteção social também pode significar transformação econômica e construção de cidadania.

No ano em que completa 40 anos de atuação, a instituição recebeu nesta terça-feira (25) a deputada federal e candidata ao Senado Benedita da Silva (PT-RJ), o candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes (PSD), o deputado federal e candidato ao Senado Pedro Paulo (PSD) e o candidato a deputado estadual André Ceciliano (PT-RJ). A agenda teve como eixo central o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela instituição e a defesa da ampliação de políticas públicas voltadas à infância, à juventude e às famílias em situação de vulnerabilidade.

Fundada em 1986 pelo padre italiano Renato Chiera, a Casa do Menor nasceu com a missão de acolher crianças em situação de rua e oferecer a elas mais do que abrigo: a possibilidade concreta de construir uma nova trajetória. Em 40 anos, mais de 100 mil crianças, adolescentes e jovens já passaram pelos projetos da instituição no Brasil.

Fundada em 1986 pelo padre italiano Renato Chiera, a Casa do Menor nasceu com a missão de acolher crianças em situação de rua

A experiência da Casa mostra que combater a vulnerabilidade social não significa apenas enfrentar a pobreza no presente. Significa também impedir que a exclusão seja reproduzida de uma geração para outra.

Por meio de acolhimento, educação, formação profissional e capacitação, a instituição busca criar caminhos para que jovens possam ingressar no mercado de trabalho, conquistar autonomia e participar de forma mais efetiva da economia. Na prática, cada curso profissionalizante e cada oportunidade oferecida representam uma possibilidade de romper ciclos de pobreza e dependência.

Além da unidade de Miguel Couto, a Casa do Menor mantém projetos e unidades em diferentes pontos do Rio de Janeiro e nos estados de Alagoas, Ceará e Paraíba.

À frente da instituição está Lúcia Cardoso, conhecida como Lucinha, que acompanha o trabalho do padre Renato Chiera desde os primeiros anos da organização. Durante a visita, ela e o padre apresentaram aos candidatos as instalações, os projetos e os cursos oferecidos pela Casa.

Uma história construída com apoio público

A aproximação entre a instituição e o poder público também faz parte dessa trajetória. A visita foi articulada por André Ceciliano, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que mantém uma relação de longa data com a Casa do Menor.

Benedita da Silva também possui um histórico de apoio à instituição. Desde 2016, a deputada destinou emendas parlamentares para fortalecer as ações desenvolvidas pela organização. Entre 2016 e 2024, foram seis emendas, todas pagas, que totalizam R$ 1,25 milhão.

Para Benedita, que viveu durante décadas na favela do Chapéu Mangueira, no Rio, iniciativas voltadas à infância e à juventude têm uma dimensão que ultrapassa a assistência: representam investimento no futuro.

“Eu cresci na comunidade do Chapéu Mangueira e morei na favela por 57 anos. Hoje, com 84, reconheço o quanto projetos que tirem as crianças da rua são importantes para oferecer oportunidade e um futuro melhor para a nossa juventude”, destacou.

A própria trajetória da candidata ajuda a dimensionar a importância dessa perspectiva. Antes da vida pública, Benedita trabalhou como servente de escola e auxiliar de enfermagem. Experiências que, segundo ela, contribuíram para construir uma visão política baseada na proteção social, na garantia de direitos e na criação de oportunidades para quem historicamente esteve à margem.

Solenidade da capacitação profissional de jovens formados pela Casa do Menor São Miguel Arcanjo

Assistência social como investimento no futuro

Durante a visita, Eduardo Paes defendeu a recuperação da capacidade do Estado de atuar de maneira articulada nas áreas de assistência social, educação, saúde, proteção da infância e geração de oportunidades.

Para o candidato ao Governo do Estado, experiências como a da Casa do Menor podem ser ampliadas por meio de parcerias entre instituições sociais e o poder público.

“Hoje estou tendo a honra de conhecer esse projeto tão bonito, que acolhe a juventude dessa região. E, mais que isso, se formos bem-sucedidos nessa missão, me comprometo a buscar um convênio com o governo do Estado para ampliar o projeto e levar essa oportunidade a mais jovens”, afirmou.

A proposta coloca em evidência um dos principais desafios sociais da Baixada Fluminense: transformar políticas de assistência em portas de entrada para autonomia econômica.

Quando uma criança permanece na escola, quando um adolescente encontra um espaço protegido e quando um jovem recebe formação profissional, o impacto não se limita à vida daquele indivíduo. A mudança pode alcançar toda a família e produzir efeitos sobre renda, emprego, segurança, saúde e desenvolvimento local.

Da proteção à autonomia

A agenda também reforçou a necessidade de integração entre União, Estado e municípios na construção de uma rede de proteção social.

No âmbito federal, políticas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) compõem essa rede de proteção. Para 2026, o orçamento federal prevê R$ 159 bilhões para o Bolsa Família, que atende cerca de 21 milhões de famílias, e R$ 122,4 bilhões para o BPC, destinado a aproximadamente 6,2 milhões de idosos e pessoas com deficiência.

Para André Ceciliano, o desafio é fazer com que instituições que já conhecem a realidade das comunidades tenham condições de ampliar sua atuação.

“Conheço a Casa do Menor há muitos anos e sei da importância desse trabalho para a Baixada Fluminense. É uma instituição que acolhe, capacita e abre caminhos para crianças e jovens que precisam de oportunidades. Precisamos fortalecer iniciativas como essa e ampliar as políticas de assistência social para garantir um futuro melhor para a nossa juventude”, afirmou.

A lógica defendida durante a visita é a de que assistência social, isoladamente, não resolve desigualdades estruturais. É preciso combinar proteção de renda, educação de qualidade, qualificação profissional, acesso à saúde, infraestrutura e oportunidades de trabalho.

A Baixada no centro da agenda social

A presença dos candidatos na Casa do Menor também colocou a Baixada Fluminense no centro do debate sobre desenvolvimento social e econômico do Estado.

Com uma população expressiva e uma história marcada por desigualdades territoriais, a região enfrenta desafios que não podem ser solucionados apenas por uma política pública ou por um único nível de governo.

A presença de gestores e lideranças políticas na instituição reforçou a defesa de uma atuação conjunta entre União, Estado, municípios e organizações da sociedade civil.

Participaram ainda da agenda o prefeito de Paracambi, Andrezinho Ceciliano, e o prefeito de Itaguaí, Haroldinho.

Ao completar 40 anos, a Casa do Menor chega a uma marca que vai muito além do tempo de existência. São quatro décadas mostrando que acolher uma criança, proteger um adolescente ou capacitar um jovem pode significar muito mais do que atender uma necessidade imediata.

Pode significar abrir uma porta. E, para milhares de famílias da Baixada Fluminense, ter uma porta aberta pode ser o primeiro passo para mudar uma história inteira.

(*) Com assessoria de campanha