Cinema da Baixada Fluminense ganha destaque na edição de 20 anos do festival Visões Periféricas
Obra encerra convida o público a um mergulho sensorial, histórico e lúdico na memória ancestral da Baía de Guanabara

Neste domingo, 26 de julho, às 19h, o Estação Claro (Botafogo) será palco da estreia no Rio de Janeiro de “Guapi-Macacu, o filme”, longa-metragem que integra a sessão de encerramento da programação do Festival Visões Periféricas.
O que acontece quando decidimos seguir o curso do rio na direção contrária? É partindo da foz, na Baía de Guanabara, em direção ao silêncio das nascentes, que o documentário “Guapi-Macacu, o filme” desafia o espectador a repensar a história da Baixada Fluminense.
Com 85 minutos de duração, o documentário propõe uma “escuta sensível” das águas da bacia do rio Guapi-Macacu. Narrado pela cineasta nilopolitana Catu Rizo, o filme percorre um fluxo de contracorrente – da foz à nascente – para resgatar a conexão entre a Baixada Fluminense e a Baía de Guanabara.
“Guapi-Macacu, o filme” é um convite a ressignificar o passado e o futuro. Através da vivência de pescadores, quilombolas, guarda-parques e lideranças locais, o espectador é transportado para um tempo em que os rios eram fontes vitais, garantindo a irrigação e o sustento das comunidades que se formavam ao longo de suas margens. No entanto, essa relação de dependência era sustentada por uma consciência de cuidado e preservação. O longa reúne trajetórias de moradores locais e conta ainda com a participação especial da atriz veterana Mariah da Penha, que interpreta a personagem Ominá, acolhendo o público numa intervenção lúdica.
Com consultoria do historiador e doutor Philippe Moreira, a obra contextualiza a profunda desfiguração ecológica e social sofrida pela região ao longo do século XX, especialmente durante a Era Vargas e à Comissão de Saneamento Básico. Utilizando imagens de arquivo cedidas pelo Arquivo Nacional, o filme evidencia o impacto da retificação de rios, das ferrovias e do abandono de sítios arqueológicos, contrapondo essas cicatrizes à vitalidade das comunidades que ainda dependem do ecossistema para o seu bem-viver.
O projeto é fruto de uma parceria entre a Estamira Produção Cultural, de Giordana Moreira, e a Catu Filmes, com financiamento da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo.
Sobre o cineasta
Cineasta e pesquisadora, formada em Cinema e Audiovisual. Mestra pelo programa de Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense. Faz parte do movimento Baixada Filma.
Serviço
- Domingo, 26 de julho | a partir das 19h
- Endereço: Estação Claro, R. Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ














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