Nova Iguaçu avança para construir maior sistema de reservatórios de águas pluviais do Estado
Projeto com cinco estruturas terá capacidade para armazenar mais de 346 milhões de litros de água e beneficiar diretamente mais de 100 mil moradores de pelo menos 11 bairros do município

Nova Iguaçu deu um passo decisivo para tirar do papel um dos maiores projetos de combate às enchentes já planejados para o município. A cidade avançou nas negociações para a implantação de um sistema integrado de cinco grandes reservatórios de águas pluviais, que, juntos, terão capacidade para armazenar 346,09 milhões de litros de água — o maior volume de armazenamento entre sistemas desse tipo no Estado do Rio de Janeiro.
O avanço ocorreu após reunião entre o prefeito Dudu Reina e o presidente da Light, Alexandre Nogueira Ferreira, na sede da concessionária. Durante o encontro, foi dada sinalização positiva para a cessão das áreas necessárias à implantação dos novos reservatórios.
O projeto prevê a construção de quatro estruturas e a revitalização de uma quinta, formando um sistema capaz de reduzir significativamente os impactos das chuvas intensas em diversas regiões da cidade.
Para dimensionar a grandiosidade da obra, os cinco reservatórios terão capacidade equivalente a aproximadamente 92 piscinas olímpicas com três metros de profundidade. O volume é quase seis vezes maior que a capacidade conjunta dos três reservatórios da Praça Niterói, na Grande Tijuca, que armazenam cerca de 58 milhões de litros.
A área de influência estimada do projeto é de 4,7 milhões de metros quadrados, com benefícios diretos para mais de 100 mil moradores de pelo menos 11 bairros de Nova Iguaçu.
A Light deverá encaminhar à Prefeitura, nos próximos dias, a minuta do termo de cessão das áreas. O documento será analisado pela Procuradoria-Geral do Município e, após aprovação e assinatura, passará a integrar oficialmente a documentação necessária para a execução do projeto.
As negociações para utilização dos terrenos vêm sendo conduzidas pela Prefeitura desde 2023, antes mesmo de o município garantir os R$ 49 milhões do Novo PAC destinados às intervenções.

Após a formalização da cessão das áreas, a administração municipal enviará toda a documentação ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal para análise e liberação dos recursos. Concluída essa etapa, será possível iniciar o processo licitatório para contratação da empresa responsável pelas obras.
“Estamos dando um passo decisivo para enfrentar um problema histórico de Nova Iguaçu. São mais de 346 milhões de litros de capacidade e mais de 100 mil pessoas que serão diretamente beneficiadas. Estamos trabalhando desde 2023 para viabilizar essas áreas, antes mesmo de termos os recursos assegurados. E não estamos falando apenas de construir piscinões. A proposta é ampliar a captação da água que desce da Serra de Madureira e criar caminhos para conduzir esse volume de forma controlada até os reservatórios, evitando que chegue com tanta força às áreas mais baixas da cidade”, afirmou o prefeito Dudu Reina.
Captação de água da Serra de Madureira
O projeto não se limita à construção dos chamados piscinões. A proposta prevê uma ampla integração entre reservatórios e obras de microdrenagem, melhorando a captação e o direcionamento das águas das chuvas.
Grande parte do volume que provoca alagamentos nas regiões mais baixas de Nova Iguaçu tem origem nas encostas da Serra de Madureira. Durante temporais, a água desce rapidamente em direção à área urbana e encontra limitações na rede de drenagem existente, aumentando a pressão sobre ruas, canais e áreas residenciais.
A estratégia da Prefeitura é atuar na origem do problema, criando novos caminhos para captar e conduzir a água até os pontos de armazenamento temporário.
Nesta primeira fase, contemplada com recursos do Novo PAC, está prevista a implantação de um sistema de microdrenagem no Bairro da Luz, especialmente na região próxima ao Fórum. A intervenção permitirá captar as águas pluviais e direcioná-las até o reservatório do Canal do Moquetá.
O funcionamento será integrado: enquanto as novas redes de drenagem farão a captação e condução da água, os reservatórios receberão temporariamente o grande volume acumulado durante os períodos de chuva intensa.
A expectativa é reduzir a sobrecarga sobre o sistema de drenagem e minimizar os impactos dos alagamentos em áreas historicamente afetadas.
Cinco grandes reservatórios
O projeto prevê intervenções nos reservatórios Firjan 1 – Dom Rodrigo, Firjan 2 – Dom Rodrigo, Jardim Pernambuco, Bairro da Luz e Jardim Alvorada.
As estruturas terão diferentes capacidades de armazenamento, chegando a 106,5 milhões de litros na maior delas.
Ao menos 11 bairros serão beneficiados, total ou parcialmente: Bairro da Luz, Chacrinha, Santa Eugênia, Ouro Verde, Jardim Alvorada, Jardim Canaã, Jardim Pernambuco, Nova Era, Centro, Vila Bandeirantes e Moquetá.
Somadas, as cinco estruturas terão capacidade para receber 346,09 milhões de litros de água. Para efeito de comparação, o volume representa cerca de 19 vezes a capacidade do reservatório da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro.
Com o avanço das negociações e a futura liberação dos recursos, Nova Iguaçu se aproxima de iniciar um projeto estrutural de grande porte, pensado para enfrentar um dos principais desafios históricos da cidade: os impactos das chuvas fortes e os constantes alagamentos em áreas urbanas.














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