
(*) Joé Sestello
A saúde brasileira vive um momento decisivo. O aumento da expectativa de vida, o crescimento das doenças crônicas, a incorporação de novas tecnologias e a necessidade de ampliar o acesso exigem uma mudança de paradigma: substituir a
lógica da fragmentação pela cultura da cooperação. Mais do que nunca, é preciso compreender que os setores público e privado não competem entre si. Eles se complementam na missão de cuidar das pessoas.
Essa reflexão ganhou ainda mais relevância com a reportagem publicada por O Globo, em 30 de junho, que retrata os 25 anos de atuação do Hospital Israelita Albert Einstein no Sistema Único de Saúde (SUS). A experiência demonstra que é possível unir
excelência em gestão, inovação, monitoramento de indicadores e conhecimento das necessidades da população para fortalecer a assistência pública. Ao administrar 34 unidades de saúde e desenvolver projetos voltados à qualificação da Atenção Primária,
a instituição evidencia que a colaboração entre diferentes setores produz resultados concretos para quem mais importa: o cidadão.
Essa experiência confirma um princípio que defendemos há muitos anos: quando diferentes competências trabalham de forma integrada, toda a sociedade ganha.
Como cooperativa médica, a Unimed Nova Iguaçu acredita que o cooperativismo tem uma contribuição singular para esse debate. Nossa essência é a união de profissionais em torno de um propósito comum: oferecer assistência de qualidade, baseada na ética,
na valorização do trabalho médico e no cuidado centrado nas pessoas. Esse mesmo espírito de cooperação pode e deve inspirar uma relação cada vez mais madura entre a saúde suplementar e o sistema público.
A saúde suplementar acumulou importantes avanços em governança, gestão assistencial, protocolos clínicos, incorporação tecnológica, medicina preventiva e monitoramento de desempenho. O SUS, por sua vez, é uma das maiores redes públicas
de saúde do mundo e possui uma extraordinária capacidade de alcançar milhões de brasileiros. Quando essas fortalezas se encontram, criam-se oportunidades para ampliar o acesso, melhorar a eficiência, reduzir desperdícios e elevar a qualidade do
cuidado.
Os benefícios dessa integração são objetivos. A adoção de protocolos assistenciais compartilhados fortalece a segurança do paciente. O investimento conjunto na Atenção Primária reduz a pressão sobre hospitais e emergências. A troca de informações e o
uso inteligente de indicadores permitem decisões mais assertivas. Programas integrados de prevenção e promoção da saúde contribuem para diminuir o impacto das doenças crônicas, melhorando a qualidade de vida da população e promovendo maior
sustentabilidade para todo o sistema.
Essa agenda também depende de uma atuação estratégica dos governos estaduais e municipais. É fundamental criar ambientes de cooperação institucional, com regras claras, transparência e foco em resultados. Investir na interoperabilidade dos sistemas
de informação, fortalecer a regionalização da assistência, incentivar modelos de remuneração baseados em valor e estabelecer indicadores permanentes de desempenho são iniciativas capazes de aproximar ainda mais os diferentes atores da saúde.
Na Baixada Fluminense, essa integração ganha um significado especial. Trata-se de uma região dinâmica, com grande densidade populacional e desafios históricos relacionados ao acesso e à organização da assistência. A construção de redes regionais
integradas, envolvendo poder público, hospitais, cooperativas médicas, universidades e demais instituições de saúde, pode representar um salto importante na qualidade do atendimento oferecido à população.
Na Unimed Nova Iguaçu, entendemos que inovação não significa apenas investir em tecnologia. Significa construir novas formas de relacionamento, fortalecer a prevenção, utilizar dados para orientar decisões e desenvolver soluções colaborativas que
coloquem o paciente no centro do cuidado. É nesse ambiente de confiança, diálogo e corresponsabilidade que surgem os melhores resultados.
O futuro da saúde brasileira será construído por quem souber cooperar. A experiência demonstra que nenhum sistema, isoladamente, conseguirá responder à complexidade dos desafios atuais. Somar conhecimento, compartilhar boas práticas e integrar competências é o caminho para oferecer uma assistência mais resolutiva, sustentável e humanizada.
Mais do que uma tendência, a parceria entre o público e o privado representa uma oportunidade concreta de transformar realidades. E essa transformação começa quando compreendemos que cuidar da saúde é, acima de tudo, um compromisso
coletivo.
(*) Por Joé Sestello é angiologista, cirurgião vascular e endovascular, e diretor-presidente da Unimed Nova Iguaçu
