No Restaurante do Povo de Nilópolis, acolhimento também se serve à mesa
Ação do Setembro Amarelo reuniu equipe do CREAS e frequentadores em uma tarde de conversa, escuta e orientação em Nilópolis

No Restaurante do Povo de Nilópolis, o almoço de quarta-feira, 23 de setembro, veio acompanhado de conversas, abraços e acolhimento. Cerca de 80 pessoas participaram de uma ação do Setembro Amarelo, organizada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social em parceria com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
A iniciativa foi sugerida pela nutricionista Deborah Freire, gestora do restaurante. A proposta era falar sobre saúde mental, valorização da vida e prevenção ao suicídio — e aproximar os frequentadores dos serviços de apoio disponíveis no município. Durante a atividade, a psicóloga Natália Lima e a assistente social Andressa Machado fizeram atendimentos individuais e ofereceram escuta qualificada. Dez pessoas foram identificadas como precisando de acolhimento emocional.
Para Deborah, esse cuidado já faz parte do cotidiano do restaurante. A equipe ouve histórias de pessoas que enfrentam dificuldades financeiras, vivem sozinhas ou precisam simplesmente conversar. “Já presenciei pessoas chorando, desabafando. Elas descobrem na nossa equipe alguém disposto a ouvi-las. Uma das coisas mais bonitas que observo é ver pessoas que chegam sozinhas fazendo amizades aqui dentro”, contou.

Um lugar para criar vínculos
Muitos frequentadores almoçam ali todos os dias. Com o tempo, o restaurante se tornou também um espaço de convivência, especialmente para quem passa boa parte do dia sem companhia.
“Para algumas pessoas, talvez seja o único momento do dia em que conseguem sentar à mesa, conversar com alguém e compartilhar suas histórias”, disse Deborah. “Nosso papel vai além de garantir uma alimentação adequada. Também podemos tornar esse momento mais humano e acolhedor.”
A psicóloga Natália Lima explicou que o acompanhamento será feito em conjunto: o CREAS dará suporte na área social, enquanto profissionais da unidade de saúde poderão oferecer atendimento especializado em saúde mental. Nas primeiras conversas, a equipe identificou situações relacionadas a conflitos familiares, perdas, abusos e vínculos fragilizados.
A assistente social Andressa Machado observou que muitos frequentadores são idosos e enfrentam vulnerabilidade emocional. Como se encontram diariamente, eles criam laços entre si e com a equipe do restaurante. “Formaram um tipo de comunidade, e isso fortalece seus relacionamentos”, afirmou.
Segundo a administração do restaurante, cerca de 60% dos frequentadores têm 60 anos ou mais; 20% são pessoas em situação de rua e os demais 20% têm outros perfis. A ação mostrou como uma refeição diária pode abrir espaço para algo igualmente necessário: ser ouvido, criar vínculos e saber onde buscar apoio.
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