Certificado Zeelândia Cândido celebra mulheres que transformam a luta pela igualdade racial em São João de Meriti
Sexta edição da homenagem reconhece lideranças femininas, destaca o legado da resistência negra e valoriza iniciativas que fortalecem a justiça social na Baixada Fluminense

A sexta edição do Certificado Zeelândia Cândido reuniu autoridades, lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais e instituições no Centro Cultural Meritiense, em São João de Meriti, para homenagear mulheres que dedicam suas trajetórias à promoção da igualdade racial, dos direitos humanos e da justiça social. A cerimônia integrou as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho.

A diretora da Casa da Cultura da Baixada, Letícia Florêncio, e a coordenadora da instituição, Margareth Felipe
A honraria leva o nome da ativista meritiense Zeelândia Cândido de Andrade, filha de João Cândido Felisberto, o histórico “Almirante Negro”, símbolo da Revolta da Chibata. Zeelândia ficou marcada por preservar a memória do pai e defender a reparação histórica do movimento. Nesta edição, o evento também destacou o legado de Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII reconhecida como referência de resistência, liderança feminina e luta do povo negro.
A abertura contou com a presença da presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial (COMIRA), Leila Regina, que também integra a equipe da Casa da Cultura da Baixada. Em seu pronunciamento, ela ressaltou a importância de fortalecer políticas públicas voltadas à igualdade racial, preservar a memória da população negra e reconhecer mulheres que promovem mudanças significativas em suas comunidades.
Também participaram da solenidade o subsecretário de Igualdade Racial, Pierre Meireles, o superintendente Athaylton Jorge e a subsecretária da Mulher, Ruth Tebaldi.
A programação reuniu apresentações da Escola de Dança Hudson Vieira, intervenções poéticas e uma roda de conversa sobre o tema “Autoestima da Mulher Negra”, conduzida pela professora Maria Lúcia e por Pretta Gonçalves. Durante o debate, Pretta destacou a necessidade de romper padrões históricos de exclusão e fortalecer o reconhecimento da identidade e da beleza da mulher negra.

Maria Lúcia e por Pretta Gonçalves recebendo a homenagem
“Durante muito tempo nos foi negado o direito ao reconhecimento e à representatividade. Hoje, precisamos nos enxergar com orgulho e compreender que nossa beleza, nossa força e nossa história sempre existiram”, afirmou.
O ponto alto da cerimônia foi a entrega do Certificado Zeelândia Cândido a mulheres e personalidades que se destacam pela atuação em defesa da igualdade racial e pelo fortalecimento das comunidades. Entre as homenageadas estiveram a diretora da Casa da Cultura da Baixada, Letícia Florêncio, e a coordenadora da instituição, Margareth Felipe.
Ao receber a homenagem, Letícia Florêncio destacou que o reconhecimento simboliza a continuidade da luta das mulheres negras que abriram caminhos para as novas gerações.
“Esta celebração dá continuidade às lutas das mulheres que vieram antes de nós e inspira aquelas que ainda construirão essa história. É uma honra compartilhar este momento com pessoas comprometidas com a igualdade racial, o combate ao racismo e a defesa dos direitos das mulheres”, declarou.
A participação da Casa da Cultura da Baixada reforçou o compromisso da instituição com a valorização da cultura afro-brasileira, da memória coletiva e da construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e comprometida com a promoção da igualdade racial em toda a Baixada Fluminense.
Foto: Henrique Gomes/Casa da Cultura da Baixada.














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