Douglas Ruas promete ‘retomada de territórios’ dominados pelo crime e metrô a R$ 5

Douglas Ruas promete ‘retomada de territórios’ dominados pelo crime e metrô a R$ 5

Candidato do PL ao governo do Rio critica estratégia de segurança de Cláudio Castro, defende presença permanente do Estado nas comunidades e anuncia plano para ampliar efetivo policial

O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, afirmou nesta terça-feira (15) que, se eleito, pretende mudar a estratégia de segurança pública do estado e estabelecer como uma das principais metas de sua gestão a retomada dos territórios atualmente controlados pelo crime organizado.

Em entrevista ao RJ1, Ruas anunciou a criação de um “indicador de retomada de territórios”, que, segundo ele, permitirá avaliar de forma objetiva se o Estado voltou a garantir aos moradores das comunidades o direito de ir e vir, a liberdade econômica e a oferta regular de serviços públicos.

De acordo com o candidato, as áreas dominadas pelo crime já estão mapeadas pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). A partir desse levantamento, comandantes de batalhões da Polícia Militar e delegados da Polícia Civil teriam que demonstrar que a população voltou a ter liberdade para circular e exercer suas atividades econômicas.

A proposta prevê, entre outros critérios, a retirada de barricadas e a recuperação da autonomia dos moradores para escolher serviços e fornecedores.

“Eles têm o direito de escolher o seu provedor de internet, o seu fornecedor de sinal de TV a cabo, qual mercearia vai comprar o botijão de gás”, afirmou Ruas, ao defender que a liberdade econômica seja um dos parâmetros para medir a recuperação dos territórios.

Críticas à política de segurança

Apesar de ter integrado o governo de Cláudio Castro como secretário de Cidades e contar com o apoio de integrantes do grupo político ligado ao ex-governador, Ruas procurou se apresentar como uma alternativa à atual política estadual de segurança.

O candidato afirmou que o problema da segurança pública não está apenas na atuação das forças policiais, mas também na ausência de outros serviços públicos nas regiões dominadas pelo crime.

Ao comentar o programa Cidade Integrada, lançado durante a gestão Castro com a proposta de unir ocupação policial e ações sociais, Ruas avaliou que faltou uma presença mais ampla do Estado.

“Quando a gente fala de presença do Estado, não são só as forças de segurança. O Estado precisa se fazer presente com todos os serviços públicos a que a população que mora nessas comunidades tem direito”, afirmou.

Para o candidato, o Rio vem administrando as consequências da criminalidade sem enfrentar diretamente o domínio territorial exercido pelas organizações criminosas.

“A política de segurança pública do RJ visa a tratar os sintomas e não a origem”, declarou.

Ruas também citou a classificação utilizada internamente pelas forças de segurança entre áreas consideradas “verdes” e “vermelhas”. Para ele, a existência dessa divisão demonstra que o Estado acabou se acostumando a conviver com territórios onde não exerce plenamente sua autoridade.

Complexo do Alemão

Ao falar sobre a Megaoperação Contenção no Complexo do Alemão, Ruas afirmou que o Estado perdeu uma oportunidade de transformar uma grande ação policial em uma estratégia permanente de retomada territorial.

Segundo o candidato, mais de 2.400 policiais participaram da operação e enfrentaram forte resistência armada. Ele afirmou que mais de 200 criminosos foram retirados de circulação.

Na avaliação de Ruas, entretanto, o principal problema ocorreu após a operação.

Para ele, a presença das forças de segurança deveria ter sido mantida no território, acompanhada da chegada de serviços públicos.

“O erro foi sair no dia seguinte. Aquela era uma grande oportunidade de fincar uma bandeira e determinar bem claro que o crime organizado não mandaria mais em nenhum palmo daquele território”, afirmou.

Ruas defendeu que a retomada seja acompanhada por saúde, educação, infraestrutura, assistência social e outras políticas públicas.

Mais policiais e novos concursos

O candidato também prometeu reforçar o efetivo das forças de segurança. Uma das primeiras medidas de seu eventual governo, segundo ele, seria convocar, já no primeiro mês de gestão, todos os candidatos aprovados em concursos das forças de segurança que estiverem aptos para nomeação.

Ruas também pretende estabelecer um calendário permanente de novos concursos para que os efetivos alcancem os números previstos em lei.

A ideia é, segundo o candidato, combinar o aumento do efetivo com uma política de presença permanente nos territórios recuperados.

Caminho novo para o estado

Questionado sobre sua relação com Cláudio Castro, Ruas afirmou que sua candidatura representa um “caminho novo” para o estado.

O candidato disse ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o Palácio Guanabara e afirmou que Castro teria preferência por outro nome na sucessão.

Ruas procurou reforçar que não pretende ser identificado exclusivamente com administrações anteriores.

“Minha candidatura não está associada a ninguém. Eu tenho uma identidade própria. Eu tenho as minhas próprias propostas”, afirmou.

Segundo ele, seu plano de governo não está vinculado a pessoas que tiveram oportunidade de governar o estado e, em sua avaliação, não entregaram os resultados esperados pela população.

Promessa de metrô a R$ 5

Na área de mobilidade, Ruas apresentou como uma de suas principais propostas a redução da tarifa do metrô para R$ 5.

Ele classificou como “inaceitável” o valor atualmente cobrado no sistema metroviário do Rio e afirmou que pretende ampliar os subsídios públicos para tornar o metrô mais acessível e atrativo.

O candidato, entretanto, reconheceu que a tarifa de R$ 5 não seria alcançada imediatamente.

“Não é nesse primeiro momento”, afirmou, acrescentando que pretende perseguir a meta durante o mandato.

Para Ruas, a redução da tarifa poderia contribuir para recuperar passageiros e estimular o uso do transporte coletivo.

Linha 3 e expansão do metrô

Douglas Ruas também defendeu a retomada do planejamento para a expansão do sistema metroviário do estado, incluindo a Linha 3, entre São Gonçalo e o Rio de Janeiro.

Ele criticou o fato de diferentes candidatos a governador terem prometido a obra ao longo dos anos sem que o projeto tenha avançado até uma etapa capaz de permitir sua contratação.

Segundo Ruas, atualmente sequer existe um estudo suficientemente detalhado que permita definir o custo da obra.

O estudo técnico da Linha 3, de acordo com o candidato, está sendo elaborado pela UFRJ com recursos provenientes de emenda parlamentar e tem previsão de conclusão para dezembro de 2027.

Depois disso, Ruas afirmou que pretende buscar apoio do governo federal para viabilizar a obra, reconhecendo que será necessário um volume elevado de recursos públicos.

Planejamento de longo prazo

O candidato também defendeu que a expansão do metrô deixe de depender da vontade de cada novo governador.

Como referência, citou São Paulo, onde, segundo ele, existe uma cultura de planejamento de longo prazo que permite a continuidade dos projetos independentemente das mudanças de governo.

“Entra governador, sai governador, todos eles inauguram uma extensão de metrô, uma nova estação, porque existe uma cultura do planejamento, política de Estado e não política de governo”, afirmou.

Ruas disse que pretende levar esse modelo para o Rio de Janeiro, criando um planejamento permanente para a expansão da rede metroviária.

A entrevista de Douglas Ruas faz parte da série promovida pelo RJ1 com os candidatos mais bem posicionados na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro. Nesta quarta-feira (16), será a vez do candidato Eduardo Paes, do PSD.