Falso médico é preso após atender criança com tumor cerebral na Baixada Fluminense
Homem teria usado o registro profissional de outro médico, prescrito medicamentos e cobrado até R$ 1 mil por atendimento domiciliar; polícia investiga se outras pessoas também foram vítimas

Um homem de 42 anos foi preso em flagrante pela Polícia Civil do Rio de Janeiro suspeito de exercer ilegalmente a medicina e se passar por outro profissional durante atendimentos domiciliares a uma criança de 10 anos, em tratamento contra um tumor cerebral maligno. A prisão ocorreu na quinta-feira (6), no bairro Jardim Pitoresco, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Identificado como Diogo dos Santos Serpa, o suspeito, segundo as investigações da 63ª DP (Japeri), acompanhava a criança desde outubro de 2025. Durante pelo menos seis atendimentos, ele teria se apresentado como médico, prescrito medicamentos, solicitado exames e feito encaminhamentos utilizando o nome e o registro profissional de outro médico.
A fraude foi descoberta pela mãe da criança, que começou a desconfiar de inconsistências nas prescrições. Ao consultar o cadastro do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), ela percebeu que a fotografia vinculada ao registro utilizado pelo homem não correspondia à pessoa que fazia as visitas.
A menina enfrenta um meduloblastoma grau IV, tumor cerebral maligno considerado de alto risco. Segundo a família, a doença foi descoberta em abril de 2025 e, desde então, a criança passou por uma série de procedimentos médicos, incluindo dez cirurgias, sete delas na cabeça.
Atendimentos custavam até R$ 1 mil
De acordo com a investigação, Diogo cobrava entre R$ 700 e R$ 1 mil por atendimento. Imagens obtidas pela investigação mostram uma das consultas com valor de R$ 1 mil.
A mãe relatou que começou a perceber problemas durante o acompanhamento da filha. Entre as situações que chamaram sua atenção estava o fato de a sonda de alimentação da criança ter permanecido por cerca de cinco meses sem troca.
“É um tumor de alto risco, isso vem em todos os documentos emitidos pelo hospital. Comecei a achar aquilo estranho, começou a me incomodar, até que eu fiz uma pesquisa no Cremerj e vi que a foto não era ele”, relatou a mãe.

A mãe da criança disse que começou a achar tudo muito estranho e descobriu a fraude ao fazer pesquisa no Cremerj
Segundo a família, o homem teria sido indicado para acompanhar a criança pela empresa Health+ Cuidados e Gestão, responsável por serviços de home care vinculados ao plano de saúde Unimed.
Suspeito usava nome e CRM de outro médico
Conforme a Polícia Civil, Diogo se apresentava como “Dr. Jeferson Targino Sampaio” e utilizava o registro profissional desse médico. Durante a abordagem, os investigadores apreenderam um carimbo, receituários de controle especial em nome de Targino, documentos já carimbados em nome de outro profissional e blocos de receituários.
A prisão ocorreu quando o suspeito estava na residência da família para realizar mais um atendimento. A polícia afirma que ele teria respondido quando um agente o chamou pelo nome do médico que utilizava na falsa identidade.
Os investigadores também descobriram que Diogo não possui formação nem habilitação para exercer a medicina. Após a prisão, segundo a polícia, ele afirmou que cursa Medicina em uma universidade particular e estaria no 12º período.
A investigação agora busca esclarecer como ele conseguiu acesso aos registros profissionais utilizados nos atendimentos e se havia algum tipo de ligação entre o suspeito e os médicos cujos dados teriam sido usados.
Polícia investiga possível atuação com outros pacientes
Para o delegado Thiago Venturini Antunes, a situação representa um risco ainda maior devido ao estado de saúde da criança.
“É assustador. Como uma criança em extrema gravidade… É claro e concreto o risco que ele causou a essa criança”, afirmou.
A Polícia Civil também investiga a possibilidade de outras pessoas terem sido atendidas pelo suspeito enquanto ele se apresentava como médico. Segundo os investigadores, Diogo teria mencionado que acompanhava outros pacientes em serviços de home care.
Além do caso atual, a polícia informou que o suspeito aparece como autor em outros quatro procedimentos policiais relacionados a falsidade ideológica, furtos e peculato.
Prisão e acusações
Diogo foi autuado, segundo a Polícia Civil, pelos crimes de exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou saúde de outra pessoa.
A delegacia solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Até a última atualização, ele permanecia preso à disposição da Justiça.
A polícia também pretende investigar a origem dos recursos utilizados pelo suspeito para custear os estudos e confirmar a informação de que ele seria estudante de Medicina.
Unimed diz que suspeito não integra seu quadro médico
Em nota, a Unimed Nova Iguaçu informou que Diogo não faz parte de seu quadro de médicos e que estava vinculado a uma empresa terceirizada. A operadora afirmou ter notificado a prestadora para que apresente esclarecimentos sobre o caso.
A Unimed também informou que registrou a ocorrência na delegacia e enviou uma equipe à residência da paciente para acompanhar a situação.
Foto: Reprodução














Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.