PL oficializa candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência com promessa de manter legado do pai e discurso de oposição ao governo Lula
Convenção em São Paulo reuniu aliados, familiares e o presidente argentino Javier Milei; evento foi marcado por críticas ao STF, defesa de pautas conservadoras e ausência de anúncio do candidato a vice.

O Partido Liberal (PL) oficializou neste sábado (25), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026. A convenção reuniu lideranças da direita, familiares e apoiadores do parlamentar em um evento marcado por discursos contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pela defesa da continuidade do projeto político iniciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em seu primeiro pronunciamento como candidato oficial, Flávio afirmou que pretende dar sequência ao legado do pai e declarou esperar receber dele a faixa presidencial em janeiro de 2027. Em um dos momentos mais emocionados da cerimônia, o senador agradeceu a Jair Bolsonaro e disse que espera vê-lo novamente “subindo a rampa do Palácio do Planalto”.
Ao longo do discurso, Flávio voltou a criticar decisões do STF, mencionando o que classificou como “abusos do Judiciário” e afirmando que o Brasil enfrenta restrições às liberdades individuais e à liberdade de expressão. Também direcionou críticas ao governo federal, defendendo redução de impostos, endurecimento das leis penais, fortalecimento da segurança pública e maior participação de uma bancada de centro-direita no Congresso Nacional.
O evento contou com a participação virtual do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Em um vídeo produzido com recursos de inteligência artificial, ele afirmou que continua sendo alvo de perseguição política e pediu aos apoiadores que apoiem a candidatura do filho.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não compareceu presencialmente. Em mensagem gravada, explicou que permaneceu em casa para acompanhar Jair Bolsonaro e desejou sucesso ao enteado, encerrando o discurso com uma breve bênção à candidatura. A manifestação ocorreu poucos dias após ambos demonstrarem publicamente a reconciliação depois de um desentendimento.
Também discursou a esposa do candidato, Fernanda Bolsonaro, que fez um apelo às mulheres, destacou a trajetória pessoal do marido e afirmou que estará ao seu lado durante toda a campanha.
O convidado internacional da convenção foi o presidente da Argentina, Javier Milei, que fez um pronunciamento de aproximadamente meia hora em defesa do liberalismo econômico e com fortes críticas ao socialismo, ao governo Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Milei voltou a defender Jair Bolsonaro, classificou a situação do ex-presidente como injusta e afirmou acreditar que Flávio representa uma mudança política para o Brasil.

Durante a convenção, também foram exibidos vídeos de apoio enviados pelos irmãos Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, e Carlos Bolsonaro. O primeiro pediu união em torno da candidatura de Flávio e defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, enquanto Carlos destacou a confiança no irmão para dar continuidade ao projeto político da família.
Entre as lideranças presentes estavam o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que conduziu a programação do evento.
Apesar da oficialização da candidatura, o PL ainda não anunciou quem ocupará a vaga de vice-presidente. A legenda segue negociando alianças com partidos do Centrão, como Republicanos, União Brasil e Progressistas, mas ainda enfrenta dificuldades para consolidar uma coligação nacional. Caso não haja acordo, a tendência é que a chapa seja formada exclusivamente por integrantes do próprio partido.
A convenção reforçou a estratégia do PL de apresentar Flávio Bolsonaro como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, apostando na mobilização do eleitorado conservador e na defesa de pautas ligadas à segurança pública, ao liberalismo econômico e aos valores da direita para a disputa presidencial de 2026.
Fotos: Reprodução














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