Vendaval deixa 141 mil imóveis sem energia no Rio; moradores protestam após mais de 40 horas de apagão
Queda de árvores sobre a rede elétrica dificulta os reparos, enquanto bairros da capital, Baixada e Sul Fluminense seguem com fornecimento interrompido

Mais de 40 horas após o vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro, cerca de 141 mil imóveis permanecem sem energia elétrica nesta sexta-feira (31). A demora no restabelecimento do serviço provocou protestos em diferentes bairros da capital e municípios da Baixada Fluminense.
A Light, responsável pelo fornecimento de energia na cidade do Rio de Janeiro e em parte da Baixada Fluminense, informou que 105 mil unidades consumidoras ainda estão sem luz. Segundo a concessionária, os bairros mais afetados na capital são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Na Baixada, os maiores impactos são registrados em Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

A empresa afirma que trabalha para normalizar o abastecimento em todas as áreas de sua concessão até o fim desta sexta-feira.
Já a Enel informou que aproximadamente 36 mil imóveis continuam sem energia elétrica. A situação é mais crítica na região Sul Fluminense, principalmente nos municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba. De acordo com a concessionária, 99% das ocorrências já foram solucionadas.
Árvores derrubadas são principal obstáculo
Segundo as duas distribuidoras, a grande quantidade de árvores que caíram sobre a rede elétrica é o principal fator que dificulta os trabalhos de reparo e prolonga o tempo de restabelecimento do serviço.
Na Tijuca, na Zona Norte do Rio, moradores relatam que seguem sem energia desde a passagem do vendaval. Em muitos imóveis, a falta de eletricidade também compromete o abastecimento de água.

A jornalista Carolina Mancino afirma que enfrenta uma situação delicada em casa.
“São casas grandes, a maioria com cisterna. Precisamos de energia para bombear a água. Tenho uma idosa em tratamento oncológico e estamos sem luz e sem água”, relatou.
O empresário João Paulo Oliveira também reclama dos prejuízos causados pelo apagão.
“Os postes continuam derrubados e há muitos troncos espalhados. A comida está estragando nas geladeiras e muita gente precisa carregar o celular na padaria. A situação está muito difícil”, disse.

Moradores afirmam que problemas estruturais já haviam sido comunicados às autoridades e à concessionária antes do temporal.
“Aqui na rua existem três postes de ferro completamente enferrujados. Já avisamos à prefeitura e à Light, mas nada foi feito. Só tomam providências depois que o problema acontece. Muita gente trabalha em casa e está sem condições de exercer suas atividades”, afirmou o comunicador Fábio Azevedo.
Protestos em diferentes regiões
A demora na normalização do fornecimento provocou manifestações em diversos pontos da Região Metropolitana.
Na comunidade Bela Vista, na Taquara, moradores incendiaram lixo e interditaram vias em protesto contra a falta de energia.
Em Sepetiba, um ônibus foi depredado e ficou atravessado na pista. Barricadas com lixo em chamas também bloquearam o trânsito.
Na Baixada Fluminense, protestos foram registrados na Avenida Kennedy, no Parque Boa Vista, em Duque de Caxias, e no bairro Jardim Corumbá, em Nova Iguaçu.
Na Rua Doutor Satamini, nas proximidades da Praça Afonso Pena, na Tijuca, moradores também denunciam que permanecem sem energia há mais de 30 horas desde a passagem do vendaval.
Foto: Reprodução/Internet









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