Operação mira esquema de entrada de drogas e celulares em presídios do Rio; policial penal é preso

Operação mira esquema de entrada de drogas e celulares em presídios do Rio; policial penal é preso

Investigação começou após apreensão de 20 quilos de drogas e 130 celulares no Presídio Nelson Hungria, em Bangu 7. Agentes cumprem mandados contra grupo suspeito de abastecer facções criminosas dentro do sistema prisional.

A Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) deflagraram, na manhã desta segunda-feira (3), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de promover a entrada de drogas, celulares e outros materiais ilícitos em unidades prisionais do estado do Rio de Janeiro. A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com apoio da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Penal.

Ao todo, os agentes cumprem quatro mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão na capital e na Região Metropolitana. Até o início da manhã, quatro pessoas haviam sido presas, sendo uma delas em flagrante.

O principal alvo da operação é o policial penal Wagner Jardim Dias (foto), apontado pelas investigações como peça central do esquema. Ele foi localizado e preso em sua residência, no bairro Pendotiba, em Niterói, sendo conduzido para a sede da Draco, na Cidade da Polícia.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de funções entre visitantes, colaboradores externos e servidores do sistema prisional para garantir que drogas, aparelhos celulares e acessórios chegassem a detentos ligados a facções criminosas.

Investigação com flagrante em Bangu 7

As apurações tiveram início em novembro do ano passado, após uma tentativa frustrada de introdução de aproximadamente 20 quilos de drogas e 130 celulares no Presídio Nelson Hungria, conhecido como Bangu 7, no Complexo de Gericinó.

Na ocasião, mulheres que sequer possuíam cadastro como visitantes esconderam os materiais ilícitos em sacolas. De acordo com a Polícia Civil, servidores envolvidos teriam realizado apenas uma revista superficial. No entanto, uma denúncia anônima permitiu que o esquema fosse descoberto antes que os produtos chegassem aos presos.

A partir desse episódio, investigadores passaram a realizar um amplo trabalho de inteligência, com análise de imagens de câmeras de segurança, cruzamento de informações, diligências e monitoramento financeiro para identificar todos os envolvidos.

Movimentação financeira chamou atenção

mulheres que sequer possuíam cadastro como visitantes esconderam os materiais ilícitos em sacolas.

Um dos principais elementos da investigação foi um Relatório de Inteligência Financeira que apontou movimentações incompatíveis com a renda do policial penal investigado.

Conforme a Polícia Civil, Wagner Jardim Dias teria recebido R$ 259.600,14 em transferências bancárias sem justificativa econômica aparente em um curto período, além de outras operações financeiras consideradas suspeitas, que seguem sob análise.

O policial penal já havia sido preso em novembro de 2025 durante a primeira fase das investigações e permaneceu detido até fevereiro deste ano. Com o avanço das apurações e novas provas reunidas, a Justiça autorizou sua nova prisão temporária.

Investigações continuam

Segundo as investigações, Wagner Jardim Dias teria recebido R$ 259 em transferências bancárias sem justificativa

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar outros integrantes da organização criminosa e aprofundar o mapeamento do esquema de abastecimento de facções dentro do sistema prisional fluminense.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados à organização criminosa, corrupção e facilitação da entrada de materiais proibidos em estabelecimentos prisionais, entre outras infrações que ainda serão apuradas durante o andamento das investigações.

Fotos: Reprodução