Japeri fortalece rede de proteção às mulheres em encontro pelos 20 anos da Lei Maria da Penha

Japeri fortalece rede de proteção às mulheres em encontro pelos 20 anos da Lei Maria da Penha

Encontro reuniu autoridades, profissionais da rede de proteção e sociedade civil para ampliar o diálogo sobre prevenção, acolhimento e combate à violência contra a mulher

Japeri promoveu, nesta terça-feira (11), um encontro especial em referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha. Realizada na Escola Municipal João XXIII, no Centro, a programação reuniu autoridades, representantes da rede de proteção e integrantes da sociedade civil em um momento de reflexão, diálogo e fortalecimento das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

A atividade começou com um momento de silêncio em memória das mulheres vítimas de violência. O gesto reforçou a necessidade de transformar a indignação diante dos casos de violência em medidas efetivas de prevenção, acolhimento, orientação e proteção.

Violência ainda é um grande desafio

Durante o encontro, foram apresentados dados que dimensionam a gravidade da violência contra meninas e mulheres no estado. Segundo informações do Instituto de Segurança Pública (ISP), 159.041 meninas e mulheres foram vítimas de violência no Rio de Janeiro em 2025, uma média de aproximadamente 18 vítimas por hora. No mesmo período, foram registrados 104 feminicídios e 307 tentativas de feminicídio.

Para a subsecretária municipal da Mulher, Alessandra Oliveira, o combate à violência precisa ser tratado como uma política permanente.

“Precisamos construir uma rede cada vez mais preparada para acolher, orientar e proteger. A mulher que procura ajuda precisa encontrar informação, respeito e um caminho seguro para seguir”, destacou.

A representante também ressaltou que o Agosto Lilás é importante para ampliar a visibilidade do tema, mas defendeu que as ações de enfrentamento ocorram durante todo o ano.

Informação como instrumento de proteção

Representando a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, Marina Lowenkron destacou a importância de garantir que as mulheres conheçam seus direitos e saibam onde buscar atendimento.

Segundo ela, muitas vítimas desconhecem os caminhos disponíveis para denunciar uma situação de violência e acessar os serviços de proteção. Por isso, aproximar a população da rede de atendimento é fundamental para ampliar o acesso à Justiça.

A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Maria Cristina Alves, reforçou o papel da participação social na construção e no acompanhamento das políticas públicas.

Para ela, os 20 anos da Lei Maria da Penha representam uma conquista histórica, mas também evidenciam a necessidade de manter a mobilização para que os direitos previstos na legislação alcancem todas as mulheres.

Rede integrada para acolher e proteger

O secretário municipal de Direitos Humanos, Pessoa com Deficiência, Mulheres e Cidadania, Luiz Henrique, destacou que o enfrentamento à violência exige a união de diferentes setores.

A avaliação é de que a integração entre os órgãos da rede de proteção contribui para oferecer atendimento mais humanizado, orientar as vítimas e criar caminhos mais seguros para quem busca ajuda.

Durante a programação, foram apresentadas iniciativas que fazem parte da rede de atendimento de Japeri, entre elas o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), a Sala Lilás, o Centro de Referência da Mulher Brasileira (CRMB) Alvanira de Souza e a Subsecretaria da Mulher.

Avanços e desafios da Lei Maria da Penha

Um dos momentos de destaque foi a participação da delegada da Polícia Civil Renata Amaral Barreto, titular da DEAM Digital. Ela apresentou a ferramenta ao público e conduziu uma reflexão sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha.

A delegada abordou os avanços proporcionados pela legislação e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para ampliar a proteção às mulheres.

Renata ressaltou que a legislação representa uma conquista histórica, mas que a proteção precisa ser acessível e acompanhada de informação sobre os caminhos disponíveis para quem vive uma situação de violência.

A atuação integrada dos diferentes órgãos também foi destacada como fundamental para que cada caso receba o acolhimento, a orientação e o encaminhamento adequados.

Prevenção e responsabilização

Entre as ações apresentadas esteve o SER H – Serviço de Educação e Responsabilização de Homens Autores de Violência, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher e o Fórum de Japeri.

O projeto promove grupos reflexivos voltados à responsabilização dos autores de violência e à discussão sobre comportamentos violentos, relações de poder, masculinidades e respeito.

Outra iniciativa destacada foi o projeto SEM KAÔ – Papo Sério sobre Respeito, desenvolvido em parceria com a Defensoria Pública e levado às escolas estaduais do município.

A proposta trabalha temas como direitos, respeito e violência, além de orientar os estudantes sobre como identificar situações que precisam ser enfrentadas e encaminhadas à rede de proteção.

DEAM Digital amplia caminhos para buscar ajuda

Durante o encontro, a DEAM Digital foi apresentada como mais uma ferramenta de acesso aos serviços especializados da Polícia Civil para situações relacionadas à violência de gênero.

Renata Amaral Barreto explicou o funcionamento da plataforma e respondeu às perguntas dos participantes, reforçando a importância de conhecer os canais disponíveis e buscar orientação diante de situações de violência.

A programação também contou com a participação de Ana Costa, coordenadora do Núcleo LGBTI Baixada II, que contribuiu para o debate com perguntas e sugestões, ampliando a discussão sobre a necessidade de uma rede de proteção atenta às diferentes realidades e vulnerabilidades da população.

Agosto Lilás reforça mensagem de prevenção

A programação faz parte das ações do Agosto Lilás, período dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Durante o encontro, também foram destacados os canais de atendimento e orientação, como o Ligue 180 e o 190 para situações de emergência.

Ao lembrar os 20 anos da Lei Maria da Penha, Japeri reforçou a importância de manter a sociedade mobilizada para prevenir a violência, ampliar o acesso à informação e fortalecer os serviços de acolhimento.

Mais do que celebrar uma conquista histórica, a mobilização mostrou que a efetividade da legislação depende de uma rede preparada, integrada e acessível — capaz de acolher mulheres, orientar vítimas e contribuir para que nenhuma delas precise enfrentar sozinha uma situação de violência.