Beija-Flor incendeia Nilópolis em noite de samba, emoção e euforia na terceira eliminatória
Quadra lotada, torcidas apaixonadas e seis sambas classificados para a próxima fase aumentaram ainda mais a expectativa pelo hino que levará a história de Zeneida Lima para a Sapucaí em 2027

Por Geraldo Perelo
A noite de quinta-feira (13) foi de arrepiar em Nilópolis. A quadra da Beija-Flor virou um verdadeiro caldeirão de samba, festa e emoção durante a terceira eliminatória do concurso que vai escolher o samba-enredo da escola para o Carnaval de 2027.
Bandeiras no alto, torcidas inflamadas, coreografias, muito canto e uma bateria pulsando forte deram o tom de uma noite em que a paixão pela azul e branca falou mais alto. Em meio à euforia, sete sambas entraram na disputa pelo sonho de transformar em versos, melodia e poesia a trajetória de uma das grandes referências dos saberes tradicionais da Amazônia.

Intérpretes oficiais, Jéssica Martin e Nino, ao ritmo contagiante da bateria comandada pelos mestres Rodney
O enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, levará para a Marquês de Sapucaí a história da pajé marajoara Zeneida Lima de Oliveira, escritora, poeta, compositora e ambientalista que dedicou sua trajetória à valorização da cultura, da educação, dos conhecimentos tradicionais e da preservação ambiental.
Vice-campeã do Carnaval de 2026, a Beija-Flor , dirigida pelo presidente Almir Reis, prepara uma viagem pelo universo místico, cultural e ambiental da Amazônia. E, a cada etapa do concurso, a disputa pelo samba que terá a missão de contar essa história ganha novos contornos de emoção.
A quadra virou palco de uma explosão de alegria

A quadra da Beija-Flor virou um verdadeiro caldeirão de samba, festa e emoção na terceira eliminatória
Antes mesmo de os sambas entrarem em cena, a festa já tomava conta da quadra. O tradicional esquenta reuniu sambas que fazem parte da história da Beija-Flor, entre eles “Sonhar com o rei dá leão” – enredo que deu o primeiro título para a escola no Grupo Principal do Carnaval do Rio de Janeiro, em 1976- acompanhado pelo canto do casal de intérpretes oficiais, Jéssica Martin e Nino, e pelo ritmo contagiante da bateria comandada pelos mestres Rodney e Plímo.
A transmissão do Rio Carnaval TV também ganhou um ingrediente especial. À frente da apresentação, a jovem Larissa Ramalho, ritmista da bateria nilopolitana e integrante da direção cênica, conquistou o público com sua espontaneidade e desenvoltura.
Interagindo constantemente com os cerca de 3 mil espectadores que acompanhavam a live pelo YouTube, Larissa transformou a transmissão em uma extensão da festa da quadra.

Apresentadora do Rio Carnaval TV, Larissa Ramalho: espontaneidade e desenvoltura na transmissão ao vivo
“Muito feliz por vocês estarem aqui comigo, por estarem gostando. Mas, se não estiverem, escrevam aí, que a gente melhora para a semana que vem. Estou aqui para deixar vocês a par de tudo”, brincou a apresentadora.
Cria de Nilópolis e da própria Beija-Flor, Larissa resumiu em poucas palavras a emoção de viver aquele momento dentro da quadra que faz parte de sua história.
“Estou imensamente apaixonada. Sou cria de Nilópolis, sou cria desta quadra. Tenho muitas histórias com a Beija-Flor de Nilópolis, e estar aqui é gratificante demais”, revelou.
Mestre Rodney: “O nosso samba é o que ganhar”
Com uma trajetória de décadas ligada à Beija-Flor, mestre Rodney destacou que a bateria não possui torcida por nenhum concorrente e que a escolha deve levar em conta o samba como um todo.
Segundo ele, métrica, melodia, conteúdo da letra e a capacidade de unir o canto da comunidade ao ritmo da bateria são fundamentais para que uma composição tenha força na avenida. Para Rodney, a letra também precisa dialogar com o enredo e traduzir com fidelidade a história que a escola pretende apresentar. “A nossa safra de compositores é maravilhosa”, destacou.

Mestre Rodney: “A bateria não tem torcida. O nosso samba é o que ganhar. Por isso, respeito todos os sambas.”
O mestre fez questão de reforçar que a bateria não escolhe lado na disputa. “A bateria não tem torcida. O nosso samba é o que ganhar. Por isso, respeito todos os sambas.”
Apaixonado pela escola, Rodney também falou sobre a relação construída ao longo dos anos com a azul e branca.
“É muito importante você fazer o que gosta, no lugar que você gosta e com quem gosta de você. Sou um felizardo, um abençoado por Deus, por fazer parte dessa família Beija-Flor. Na verdade, eu tinha que ser Beija-Flor, nasci Beija-Flor e não tem jeito”, afirmou, confiante de que a escola terá um grande samba no Carnaval de 2027.
Samba 07 é eliminado
A disputa, no entanto, também teve momentos de tensão. O samba de número 07, assinado por PC Feital, Igor Leal, Maicon Willian, Fabian Juarez, Eli Penteado, Dinho PQD, Neilson Ribeiro, Baninho e Rivarola Borges, foi desclassificado pelos jurados e deixou a competição.
Com isso, seis composições seguem vivas na corrida pelo título e pela responsabilidade de embalar a Beija-Flor na Sapucaí.
Seis sambas continuam na disputa
Estão classificados para a próxima etapa:
- Samba 05 — Júnior Trindade, Samir Trindade, Laura Romero, Cleiton Roberto, Doguinha Guaracimir e Marcão da Gráfica;
- Samba 77 — Márcio França, Fábio Leite, Rodrigo Tinta, Guinho, Cleissinho Teixeira e Eduardo Amsterdam;
- Samba 13 — Marquinhos Beija-Flor, Cláudio Russo, Chacal do Sax, Rômulo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire;
- Samba 01 — Diogo Rosa, Júlio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio;
- Samba 39 — Sidney de Pilares, Pedro Marajoara, Dudu Nobre, Marcelo Lepiane, Salgado Luz e João Conga;
- Samba 02 — Júnior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes.






A próxima etapa está marcada para quinta-feira (20), quando a disputa ficará ainda mais acirrada. O grande momento do concurso está previsto para 17 de setembro, data em que a Beija-Flor deverá conhecer oficialmente o samba que terá a missão de conduzir a história de Zeneida Lima pela avenida.
E, enquanto a decisão não chega, Nilópolis continua cantando, dançando e sonhando. Porque, na Beija-Flor, escolher um samba não é apenas uma disputa. É preparar o coração da comunidade para um novo Carnaval.
E o coração da azul e branca já está batendo forte.
Fotos: Reprodução/Rio Carnaval TV














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