Professora de arte transforma escola estadual de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em ateliê

Professora de arte transforma escola estadual de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em ateliê

Ao longo dos anos, as produções artísticas e os projetos que envolvem a comunidade escolar passaram a ocupar outros espaços da unidade.

Uma sala de aula que lembra um ateliê, corredores coloridos e trabalhos artísticos espalhados por todos os lados. No Ciep 320 Ercília Antônio da Silva, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a arte faz parte do cotidiano e se tornou uma forma de estimular a criatividade, a expressão e a aprendizagem dos estudantes.

À frente dessa iniciativa está a professora de arte Aline Derradi, que há 12 anos desenvolve projetos para levar a cultura para além dos livros e transformar diferentes ambientes da unidade em espaços de criação.

– Quero trazer luz e conhecimento para a vida destes jovens. Esse é um diferencial, um escape para eles. Tratamos esse momento como a cereja do bolo na vida de cada um. Nossa sala de aula é diferente, tem jeito de ateliê, e aqui a imaginação floresce – contou a professora.

Aline Derradi: “Quero trazer luz e conhecimento para a vida destes jovens”

A proposta vai além das atividades em sala de aula. Ao longo dos anos, as produções artísticas e os projetos que envolvem a comunidade escolar passaram a ocupar outros espaços da unidade. A preparação das atividades inclui planejamento fora do horário de aula e o reaproveitamento de materiais que seriam descartados, incorporando a sustentabilidade às experiências propostas aos alunos.

– A Aline, além de ótima professora, nos dá muitos conselhos e força para seguir no caminho do bem e da educação – afirmou Maria Isabel Moraes, de 14 anos, aluna do 8º ano do Ensino Fundamental.

O diretor da unidade, Rafael Coelho, destacou a importância da proposta pedagógica desenvolvida na escola.

– Acreditamos e proclamamos que a arte é um direito humano e deve balizar todo o processo educacional. Nossa equipe vem desenvolvendo uma metodologia que alia teoria e prática. As aulas acontecem em um ambiente configurado para funcionar como um verdadeiro ateliê – disse o diretor.

Cultura e aprendizado

Entre as iniciativas desenvolvidas na escola está o projeto 320 em Cordel, que levou referências da cultura nordestina para a Baixada Fluminense. Com apresentações culturais, caracterizações, comidas típicas e produções literárias, a atividade reuniu diferentes formas de expressão e permitiu aos estudantes explorar novos conhecimentos de maneira lúdica e interativa.

Ao longo dos anos, as produções artísticas passaram a ocupar espaços da unidade

Por conta da iniciativa, a escola ganhou uma decoração especial, com folhetos de cordel expostos em fios de sisal, barraquinhas literárias, cartazes e pinturas em telas produzidas pelos próprios alunos sob a orientação de Aline.

– Ela é mais que uma professora, parece aquela tia que está sempre do nosso lado, trazendo um sentimento bom para a gente. A aula dela é maravilhosa, é uma das melhores professoras que já tive na vida – destacou Raquel Braga da Silva, de 16 anos, aluna da 1ª série do Ensino Médio.

Para a educadora, o envolvimento dos estudantes é um dos principais resultados do trabalho. Ela destaca que as iniciativas são construídas coletivamente e que a participação dos alunos dá sentido aos projetos desenvolvidos na unidade.

– Isso é a realização de um sonho. Nossa movimentação gerou tudo isso aqui. É um trabalho em equipe. Sozinho, ninguém faz nada. Ver a felicidade dos alunos, aprendendo e se divertindo, faz com que tudo valha a pena. Estamos colhendo alegrias – ressaltou.