Debate decisivo na Globo expõe propostas, trocas de ataques e visões opostas para o Brasil

Debate decisivo na Globo expõe propostas, trocas de ataques e visões opostas para o Brasil

No último confronto antes da votação, Flávio Bolsonaro e Lula protagonizam embate marcado por economia, infraestrutura, segurança, saúde, educação e acusações pessoais

O último debate presidencial antes do segundo turno colocou frente a frente o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Em um encontro de alta tensão realizado nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro, os dois adversários apresentaram promessas para diferentes regiões do país, discutiram economia, saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, mas também protagonizaram diversos momentos de ataques pessoais e acusações políticas.

A discussão começou com o tema da infraestrutura. Flávio afirmou que o Brasil vive um cenário de milhares de obras paralisadas e criticou o governo por aquilo que chamou de “cemitério de obras”. Em resposta, Lula destacou investimentos realizados em rodovias, ferrovias e projetos estratégicos, afirmando que sua gestão herdou empreendimentos abandonados e retomou obras consideradas essenciais para o desenvolvimento nacional. O candidato do PL prometeu ampliar a malha ferroviária e acelerar projetos voltados ao escoamento da produção agrícola.

Custo de vida

Na sequência, o debate migrou para salário mínimo, renda e custo de vida. Lula defendeu a política de reajustes acima da inflação adotada pelos governos petistas e afirmou que trabalhadores e aposentados tiveram ganhos reais de renda ao longo de seus mandatos. Flávio rebateu dizendo que os brasileiros perderam poder de compra devido aos juros altos, ao endividamento e ao aumento da carga tributária. O senador também prometeu reajustar salários e aposentadorias acima da inflação, além de implementar políticas para aliviar o bolso da população.

As divergências também apareceram quando o assunto foi transporte público e tributação. Enquanto Lula defendeu medidas sociais e programas voltados à mobilidade, Flávio acusou o governo de aumentar a arrecadação e criar insegurança sobre os futuros impactos da reforma tributária. O senador criticou a expansão dos impostos e acusou o presidente de retirar renda dos trabalhadores por meio da cobrança excessiva de tributos.

O agronegócio e as exportações renderam um dos momentos mais intensos do encontro. Lula destacou recordes de exportação e a abertura de novos mercados internacionais, afirmando que o país diversificou parceiros comerciais e fortaleceu sua presença no comércio global. Flávio argumentou que produtores rurais enfrentam dificuldades para conseguir crédito, reclamam da burocracia e sofrem com taxas elevadas de financiamento. Prometeu fortalecer o Plano Safra, ampliar o seguro rural e modernizar a gestão do setor.

Infraestrutura

Ao abordar aposentadorias e as demandas da região Sul, Flávio criticou a atuação do governo federal após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e prometeu investimentos em obras preventivas contra alagamentos, infraestrutura logística e combate ao tráfico em portos estratégicos. Lula insistiu no compromisso de garantir aposentadorias e salário mínimo com ganhos acima da inflação.

No debate sobre saneamento básico, Flávio utilizou dados sobre a falta de esgoto tratado e água encanada para milhões de brasileiros, defendendo o Marco Legal do Saneamento. Lula respondeu destacando investimentos federais na região Norte e criticou a gestão ambiental do governo Bolsonaro, afirmando que houve descaso com a Amazônia e com populações indígenas.

Já no Nordeste, ambos tentaram demonstrar proximidade com a população local. Lula relembrou programas sociais, universidades, institutos federais, a transposição do Rio São Francisco e grandes obras de infraestrutura realizadas durante seus governos. Flávio garantiu que governaria para toda a região independentemente de alinhamentos políticos e prometeu fortalecer investimentos e parcerias com governadores.

Licença maternidade e “nove dedos”

O segundo bloco trouxe discussões sobre políticas sociais. Lula cobrou explicações de Flávio por votos passados relacionados à ampliação da licença-maternidade e por declarações críticas ao Bolsa Família. O senador reconheceu que errou em posicionamentos anteriores sobre a licença e afirmou que hoje apoia medidas mais amplas de proteção às mães.

As trocas de acusações ganharam força quando Flávio voltou a chamar Lula de “nove dedos”, enquanto o presidente respondeu classificando o adversário como “miliciano”. O petista relembrou o acidente de trabalho que resultou na perda de um dedo e acusou o senador de estar ligado historicamente a personagens associados às milícias. O episódio gerou pedidos de direito de resposta e elevou a temperatura do confronto.

Na área econômica, a dívida pública e o endividamento das famílias ocuparam o centro das discussões. Flávio prometeu comprar dívidas bancárias e refinanciá-las por meio da Caixa Econômica Federal, oferecendo condições facilitadas e períodos de carência. Lula respondeu afirmando que medidas semelhantes já integram ações do seu governo, citando programas de renegociação e propostas de compra de dívidas com grandes descontos.

A saúde pública também entrou em pauta. Lula questionou como o adversário pretendia melhorar o SUS enquanto defendia cortes de gastos. Flávio rebateu apontando filas, dificuldades de atendimento e falta de medicamentos, prometendo mais eficiência na gestão e combate ao desperdício. Após pressão do presidente, confirmou que manteria e ampliaria investimentos no sistema público de saúde.

Execução orçamentária

Na educação, o presidente destacou escolas em tempo integral, expansão de universidades e institutos federais, além do programa Pé-de-Meia. Flávio criticou a execução orçamentária do governo e defendeu vale-creche, formação tecnológica, incentivo ao setor de jogos eletrônicos e parcerias entre instituições públicas e privadas. Apesar das críticas, afirmou que manteria programas de apoio a estudantes.

O tema da segurança pública encerrou alguns dos momentos mais duros da noite. Flávio defendeu endurecimento penal, redução da maioridade penal, combate ao crime organizado com classificação de facções como organizações terroristas, ampliação das penas e fortalecimento das forças de segurança. Lula respondeu defendendo maior integração nacional no combate ao crime, fortalecimento das polícias federais e a criação de um ministério específico para a área.

Ao longo de todo o confronto, propostas para economia, infraestrutura, educação, saúde, segurança, saneamento, agronegócio e programas sociais dividiram espaço com provocações, trocas de acusações e tentativas de desgastar a imagem do adversário. O debate terminou consolidando as diferenças entre os projetos defendidos por Lula e Flávio Bolsonaro, deixando para os eleitores a tarefa de decidir qual caminho desejam para o país no momento decisivo das urnas.

Imagens: Reprodução/TV Globo