Nova Iguaçu ganha destaque nacional ao transformar memória ferroviária em política cultural

Nova Iguaçu ganha destaque nacional ao transformar memória ferroviária em política cultural

Antiga Estação de Tinguá, construída em 1917, é destaque em reportagem de O Globo deste domingo (9) sobre a história de uma das mais antigas redes ferroviárias do Rio; cidade amplia investimentos em museus, patrimônio e preservação da memória da Baixada

Por Geraldo Perelo

Nova Iguaçu vive um dos momentos mais importantes de sua história cultural. A cidade voltou a ganhar destaque em uma reportagem de O Globo dedicada à preservação da memória de uma das mais antigas redes ferroviárias do estado do Rio de Janeiro. Entre os exemplos apresentados está a antiga Estação de Tinguá, construída em 1917, na antiga parada do ramal de Rio D’Ouro.

A imagem do prédio centenário, que sobreviveu ao fim da circulação dos trens e hoje funciona como centro cultural, simboliza uma nova etapa na relação de Nova Iguaçu com seu patrimônio histórico. O que durante décadas foi uma estação ferroviária passou a ser um espaço de cultura, memória e valorização da história local.

A recuperação do imóvel integra uma estratégia que vem ganhando força no município e que tem à frente a Secretaria Municipal de Cultura, comandada por Marcus Monteiro.

Uma cidade que começa a reencontrar sua história

 Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu (MAE-NI), um projeto pioneiro e único no Estado do Rio de Janeiro

A preservação da Estação de Tinguá ocorre em um momento particularmente significativo para Nova Iguaçu. Menos de um mês depois de inaugurar o primeiro Museu de Arqueologia e Etnologia do Estado do Rio de Janeiro, o município deu outro passo considerado estratégico para o fortalecimento da memória, da ciência e da identidade da Baixada Fluminense: a criação da Superintendência de Museus, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura.

A nova estrutura amplia a capacidade do município de formular e executar uma política permanente para o setor.

Com a iniciativa, Nova Iguaçu passa a integrar um grupo restrito de cidades fluminenses com estrutura pública específica dedicada à política de museus. Segundo a Prefeitura, além da capital, apenas Petrópolis e o próprio Governo do Estado contavam até então com uma estrutura dessa natureza.

A criação da superintendência representa, portanto, uma mudança de escala na política cultural do município.

Marcus Monteiro e a transformação do patrimônio em política pública

À frente da Secretaria Municipal de Cultura, Marcus Monteiro (foto) tem defendido uma concepção de patrimônio que vai além da simples restauração de prédios antigos.

A ideia é recuperar os imóveis históricos, mas também dar função a eles, transformando-os em espaços vivos, capazes de receber exposições, atividades culturais, ações educativas e projetos voltados à preservação da memória. É nesse contexto que a Estação de Tinguá ganha importância.

Construída em 1917, a antiga parada ferroviária pertenceu ao ramal de Rio D’Ouro, conhecido pela relação com o sistema de abastecimento de água do Rio de Janeiro. A ferrovia inicialmente teve papel estratégico no transporte de materiais para as obras das adutoras e, posteriormente, passou a transportar passageiros.

Hoje, sem os trilhos em funcionamento, a estação encontrou uma nova vocação. O trem deixou de passar, mas a história continuou.

Da Estação de Tinguá à Estação de Rio D’Ouro

O trabalho de preservação não se limita a Tinguá. A Prefeitura também avançou na recuperação da Estação de Rio D’Ouro, outro importante testemunho da história ferroviária de Nova Iguaçu. A proposta é levar para o local o conceito da Estação da Cultura, transformando o antigo prédio ferroviário em mais um espaço dedicado à memória e às manifestações culturais.

O objetivo é criar uma rede de equipamentos que permita contar a história do município a partir de seus próprios lugares de memória.

Tinguá, Rio D’Ouro, Vila de Cava e outras localidades passam, assim, a ser vistas não apenas como pontos geográficos, mas como capítulos de uma história que envolve a ferrovia, o abastecimento de água, a ocupação territorial e o desenvolvimento da Baixada.

Museus como instrumentos de transformação

A criação da Superintendência de Museus amplia ainda mais esse projeto. Mais do que construir ou recuperar equipamentos, Nova Iguaçu aposta na cultura como instrumento de transformação social, educação, geração de oportunidades e fortalecimento do turismo histórico.

A nova estrutura terá entre suas atribuições a organização de políticas públicas para o setor, o desenvolvimento de projetos técnicos e a busca de recursos que permitam ampliar os investimentos em museus e patrimônio. A estratégia também cria condições para que iniciativas que hoje dependem de projetos isolados possam fazer parte de uma política cultural de longo prazo.

Um novo capítulo para a memória da Baixada

A repercussão da Estação de Tinguá na reportagem de O Globo coloca Nova Iguaçu diante de uma oportunidade importante: mostrar que a preservação do patrimônio da Baixada Fluminense pode ocupar espaço de destaque no cenário cultural do estado.

A antiga estação, com mais de um século de história, tornou-se uma espécie de símbolo dessa transformação. De ponto de embarque e desembarque de passageiros, passou a ser ponto de encontro com a própria história. E esse movimento ganha ainda mais força quando associado à criação do Museu de Arqueologia e Etnologia e da Superintendência de Museus.

Nova Iguaçu não está apenas restaurando prédios antigos. Está construindo uma política para preservar a memória de seu território e transformá-la em conhecimento, cultura, educação e novas possibilidades para o futuro.

Nesse processo, a atuação da Secretaria Municipal de Cultura, sob a liderança de Marcus Monteiro, coloca a preservação do patrimônio histórico no centro de uma agenda que pretende fazer da cultura um dos instrumentos de afirmação da identidade de Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense.

Fotos: Reprodução e gpbaixadanews.com/Banco de Imagem