Documentário resgata legado de Cadu Barcellos em estreia no Festival do Rio
“Cria não morre, vira lenda” reúne memórias, imagens de arquivo e depoimentos sobre o cineasta da Maré; filme também registra a última participação de Cacá Diegues em uma produção cinematográfica

A trajetória, a personalidade e o legado do cineasta Cadu Barcellos, um dos nomes que ajudaram a projetar a realidade das periferias brasileiras para além dos seus territórios, ganham as telas do Festival do Rio. O curta-documentário “Cadu Barcellos – Cria não morre, vira lenda” estreia nesta quarta-feira (7), às 18h45, no Centro Cultural FGV, em Botafogo.
Selecionado para a mostra Première Brasil Itinerários Únicos, o filme integra a programação da 28ª edição da Première Brasil, uma das principais vitrines do cinema nacional. Produzido pela Iroko Produtora, o documentário constrói, a partir de imagens de arquivo, fotografias, vídeos e depoimentos, um retrato afetivo do cineasta, que morreu em 2020.
Mais do que recuperar momentos da carreira de Cadu, a produção procura mostrar o homem por trás das câmeras e a força dos vínculos que construiu ao longo da vida. Amigos, familiares e profissionais que dividiram experiências com o cineasta participam do filme e ajudam a reconstruir sua caminhada desde a Maré até o reconhecimento no cinema brasileiro.

Entre os depoimentos está o de Cacá Diegues, um dos grandes nomes da cinematografia nacional, que morreu em 2025. A participação no documentário se tornou histórica por representar sua última aparição em uma produção audiovisual, acrescentando ao filme um significado especial para a memória do cinema brasileiro.
Também integram o documentário Renata Magalhães, Babalorisá Adailton Moreira, Vitor Santiago, Jailson de Souza, Naldinho Lourenço, Nil Lima (No Lance), Sabrina Martina e Jéferson.
Da Maré para o cinema
Nascido e criado na comunidade da Maré, Cadu Barcellos construiu uma carreira marcada pela representação das periferias e pela busca de novas narrativas para o audiovisual brasileiro.
Ele foi diretor do longa “Cinco vezes favela – Agora por nós mesmos”, projeto que reuniu realizadores de comunidades populares e rompeu barreiras ao levar outras perspectivas sobre as favelas para o cinema. O episódio “Deixa voar”, dirigido por Cadu, chegou a ser exibido no Festival de Cannes, em 2010.
Sua trajetória também passou pelo documentário “5x Pacificação”, pela atuação como assistente de direção do “Greg News” e por trabalhos em produções como “Favela Gay” e “Porta dos Fundos”.
Para o diretor Wagner Novais, responsável pelo roteiro e pela direção do documentário, o filme nasceu da relação de amizade construída com Cadu e representa uma celebração de sua vida.
“Cadu representa muito para a Maré e para outras comunidades. Este é um filme que fala sobre a vida, pois ele era um sujeito muito solar”, afirma Wagner, que destaca ainda o caráter coletivo da produção.
Segundo o diretor, boa parte da equipe envolvida no documentário tinha uma relação próxima com Cadu. “Fizemos um filme entre amigos. Ele fazia um cinema que reunia pessoas”, resume.
Uma despedida a Cacá Diegues
A presença de Cacá Diegues confere ao documentário uma dimensão ainda mais simbólica. A entrevista realizada para o projeto acabou se tornando seu último registro em uma produção cinematográfica.
Wagner Novais ressalta a importância do cineasta para diferentes gerações do cinema brasileiro.
“Cacá Diegues foi um mestre, um visionário que abriu caminhos para o cinema brasileiro e para tantos realizadores, incluindo a minha geração. Sua sensibilidade e compromisso com a cultura nacional são incomparáveis”, afirma.
Produzido pela Iroko Produtora, o documentário tem Wagner Novais, cineasta e parceiro de Cadu em “5x Favela – Agora por Nós Mesmos”, na direção e no roteiro. A jornalista Juliana Portella participa da realização à frente da comunicação e da produção do projeto.
O filme é apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio da Lei Paulo Gustavo.

Serviço
Filme: Cadu Barcellos – Cria não morre, vira lenda
Festival: Festival do Rio – Première Brasil Itinerários Únicos
Estreia: 7 de outubro de 2026, às 18h45
Local: Centro Cultural FGV – Praia de Botafogo, 186/190, Botafogo, Rio de Janeiro
Segunda sessão: 9 de outubro de 2026, às 16h30
Local: Cinesystem Belas Artes Botafogo 1 – Praia de Botafogo, 316, Botafogo, Rio de Janeiro
Classificação: Livre














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