Consórcio contesta auditoria do Governo do Rio e alerta para risco de paralisação do Poupatempo

Consórcio contesta auditoria do Governo do Rio e alerta para risco de paralisação do Poupatempo

Empresa afirma que aguarda há cerca de 120 dias o pagamento de R$ 57,28 milhões e diz que falta de recursos pode comprometer a continuidade dos serviços

O Consórcio Central da Cidadania, responsável pela operação de unidades do Poupatempo RJ, divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira (11) em resposta às informações divulgadas na véspera sobre uma auditoria interna realizada pela atual gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo a reportagem publicada ontem, a auditoria identificou supostas irregularidades na contabilização e no pagamento de serviços prestados à população. O contrato analisado foi firmado em 2023 com o Consórcio Central da Cidadania, responsável pelas unidades do Poupatempo em Bangu, Duque de Caxias e São João de Meriti.

Em sua manifestação, o consórcio contesta a existência de irregularidades e afirma que presta serviços ao Governo do Estado desde 2008, ao longo de 18 anos, com contratos submetidos regularmente a auditorias, prestação de contas e fiscalização dos órgãos competentes.

A empresa também afirma que não foi comunicada sobre qualquer procedimento de auditoria administrativa relacionado às questões apontadas recentemente. Segundo o consórcio, não houve oportunidade para apresentar documentos, informações e esclarecimentos sobre os cálculos que, de acordo com a empresa, foram divulgados à imprensa.

120 dias sem receber por serviços já prestados

Outro ponto destacado na nota é a situação financeira do contrato. O Consórcio Central da Cidadania afirma estar há aproximadamente 120 dias sem receber cerca de R$ 57,28 milhões por serviços já prestados. A operação, segundo a empresa, envolve atualmente 657 funcionários.

Diante do atraso nos pagamentos, o consórcio informou que notificou o Governo do Estado nesta quinta-feira (10) sobre a possibilidade de interrupção dos serviços caso a inadimplência persista. A empresa sustenta que não dispõe mais de recursos em caixa para manter os custos da operação e o pagamento dos funcionários.

O consórcio ressalta ainda a dimensão dos serviços oferecidos à população. Desde o início da operação, afirma ter realizado mais de 75 milhões de atendimentos, envolvendo mais de 200 serviços públicos.

Atualmente, as unidades do Poupatempo administradas pelo consórcio realizariam, em média, 42 mil atendimentos presenciais por dia, com movimento diário variando entre aproximadamente 38 mil e 45 mil pessoas.

Ao final da nota, o Consórcio Central da Cidadania afirma permanecer à disposição para prestar esclarecimentos e defende uma solução rápida para as questões contratuais e financeiras. A empresa diz esperar que o impasse seja resolvido para garantir a continuidade dos serviços prestados à população fluminense.

Nota oficial


“O Consórcio Central da Cidadania presta serviços ao Governo do Estado do Rio de Janeiro desde 2008 (18 anos). Ao longo desse período, teve seus contratos regularmente auditados, com prestação de contas e serviços aprovados pelos órgãos competentes. O Consórcio informa, ainda, que há cerca de 120 dias aguarda o pagamento de aproximadamente R$ 57,28 milhões, referentes aos serviços prestados e necessários à manutenção da operação, que atualmente envolve 657 funcionários.

Diante da imprevisibilidade quanto à regularização dos pagamentos, o Consórcio precisou notificar o Governo do Estado nesta quinta (10) que poderá ser necessária a descontinuidade da prestação dos serviços, caso persista a inadimplência. Já que não há mais caixa para arcar com os custos da operação e dos funcionários.

O consórcio afirma que não há irregularidades na prestação do serviço. O consórcio nunca foi notificado pelo Governo RJ de qualquer procedimento de auditoria administrativa e, portanto, nunca foi dada a oportunidade de apresentar dados, documentos e informações e entender como os cálculos divulgados hoje à imprensa estão sendo feitos. Cerceando o direito de resposta e a necessária transparência exigida pelo processo contratual legal.

Ao longo de sua atuação, o Consórcio Central da Cidadania consolidou uma operação voltada à ampliação e à facilitação do acesso da população aos serviços públicos, combinando atendimento presencial e soluções digitais. Desde o início da operação, já foram realizados mais de 75 milhões de atendimentos, abrangendo mais de 200 serviços públicos.

Atualmente, as unidades realizam, em média, 42 mil atendimentos presenciais por dia, com variação de aproximadamente 38 mil a 45 mil atendimentos diários, demonstrando a dimensão e a relevância da operação para a população fluminense.

O Consórcio permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a qualidade dos serviços prestados e o atendimento ao cidadão e espera que as questões contratuais e financeiras sejam solucionadas de forma célere, de modo a garantir a continuidade dos serviços à população”, finaliza a nota.