Delegacia de Nova Iguaçu deflagra Operação Quimera contra esquema de lavagem de dinheiro do tráfico
Investigação da 52ª DP aponta movimentação superior a R$ 11 milhões por meio de clube recreativo e pousada; ação tem apoio do Gaeco/MPRJ e integra a Operação Contenção

A Delegacia de Polícia de Nova Iguaçu (52ª DP) deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), a Operação Quimera, uma ofensiva contra um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. A ação, realizada com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), cumpre mandados de busca e apreensão em dez endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos.
Entre os principais alvos da operação estão um clube recreativo localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro e uma pousada em Armação dos Búzios, suspeitos de serem utilizados para ocultar e movimentar recursos provenientes das atividades do Comando Vermelho (CV). A Justiça também foi acionada para determinar o bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.

A operação conta ainda com o apoio do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), integrando a Operação Contenção, estratégia do Governo do Estado voltada ao combate à expansão territorial da facção criminosa.
Investigação começou após denúncias de extorsão
As investigações tiveram início em 2025, após dirigentes de um clube social denunciarem que estavam sendo ameaçados por traficantes para abandonar a administração da entidade. Segundo a Polícia Civil, criminosos exigiam o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir o funcionamento do espaço, além de tentarem assumir o controle da instituição.
Durante o aprofundamento das investigações, os policiais identificaram um esquema semelhante em outro clube recreativo, considerado o principal alvo da Operação Quimera. De acordo com as apurações, pessoas ligadas ao grupo criminoso passaram a administrar informalmente o local, controlando eventos, receitas e decisões administrativas, mesmo sem qualquer vínculo oficial com a entidade.
Núcleo familiar movimentou milhões
As diligências apontaram a existência de um núcleo familiar responsável pela gestão financeira paralela do clube. Conforme a investigação, um dos integrantes atuava como principal operador financeiro do esquema, enquanto outros familiares exerciam funções administrativas e de gerenciamento.
Um dos investigados movimentou cerca de R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, apesar de não possuir atividade empresarial compatível com esse volume financeiro. Outro realizou aproximadamente 40 transferências via PIX, totalizando R$ 240 mil, e possui histórico de investigações relacionadas, principalmente, a roubos de carga.
Também chamou a atenção dos investigadores a movimentação financeira de uma mulher apontada como integrante do grupo. Embora declarasse renda mensal de cerca de R$ 3,2 mil como recepcionista, ela movimentou aproximadamente R$ 2,2 milhões no período analisado e recebeu R$ 253 mil em transferências realizadas por um dos principais investigados.
Pousada em Búzios também é investigada

As investigações revelaram ainda que uma pousada localizada em Armação dos Búzios teria sido utilizada para dar aparência legal aos recursos obtidos pelo tráfico de drogas.
Segundo a Polícia Civil, o estabelecimento possui apenas 16 quartos, cinco funcionários e cobra diárias em torno de R$ 540 na alta temporada. Apesar da estrutura considerada modesta, a pousada movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses e registrou mais de 600 depósitos em espécie, que somaram aproximadamente R$ 955 mil, valores considerados incompatíveis com sua capacidade operacional.
Movimentações superam R$ 11 milhões
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) identificou intensa circulação de recursos entre pessoas físicas, familiares e empresas por meio de transferências bancárias, depósitos em dinheiro e operações fracionadas via PIX, características frequentemente associadas à ocultação patrimonial e à lavagem de dinheiro.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema utilizava empresas e pessoas físicas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos ilícitos e reinseri-los na economia formal. Somadas, as movimentações financeiras investigadas ultrapassam R$ 11 milhões.
A Operação Quimera prossegue com o cumprimento das medidas judiciais e a análise do material apreendido, que poderá contribuir para o aprofundamento das investigações e a responsabilização dos envolvidos.
Fotos: Divulgação/Polícia Civil RJ














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