Governo do Rio inicia transição para a gestão de Douglas Ruas

Governo do Rio inicia transição para a gestão de Douglas Ruas

Decreto de Ricardo Couto estabelece comissão coordenada pela Casa Civil e fixa até 30 de outubro o prazo para levantamento de dados sobre projetos, serviços e situação financeira do estado; orçamento de 2027, com déficit superior a R$ 13 bilhões, está entre os principais desafios.

A preparação para a futura gestão do governo do Rio de Janeiro começou oficialmente nesta quarta-feira (14), com a publicação de um decreto pelo governador interino Ricardo Couto no Diário Oficial do Estado. A medida regulamenta o processo de transição para a administração de Douglas Ruas (PL), eleito governador, e determina a organização de informações estratégicas para garantir a continuidade dos serviços públicos.

Decreto de Ricardo Couto estabelece comissão coordenada pela Casa Civil

O decreto institui uma comissão responsável por coordenar os trabalhos e estabelece que todas as secretarias estaduais encaminhem, até 30 de outubro de 2026, um levantamento detalhado sobre programas em execução, projetos pendentes, demandas prioritárias e a situação financeira do estado.

A iniciativa tem como objetivo fornecer à futura administração um diagnóstico da estrutura governamental, permitindo o planejamento das primeiras medidas e a definição de prioridades para os primeiros 100 dias de mandato.

Casa Civil vai coordenar os trabalhos

A Comissão de Transição Governamental será presidida pelo secretário estadual da Casa Civil, Flávio de Araújo Willeman. Também integram o grupo os secretários Rafael Ventura Abreu, de Planejamento e Gestão; Guilherme Macedo Reis Mercês, de Fazenda; Pablo Villarim Gonçalves, de Infraestrutura e Obras Públicas; além de Sérgio Pimentel Borges da Cunha, subsecretário-geral da Casa Civil, e Bruno Teixeira Dubeux, procurador-geral do Estado.

O colegiado ficará encarregado de reunir, organizar e disponibilizar os dados da atual administração para a equipe indicada pelo governador eleito.

Entre as informações exigidas estão os programas já realizados ou em andamento, os projetos que ainda aguardam implantação ou foram interrompidos, as questões que exigirão decisões nos primeiros meses da nova gestão e o panorama das contas públicas estaduais.

O processo de transição deverá prosseguir até a posse do novo governador.

Maria Gabriela Bessa coordenará equipe de Ruas

Pelo lado da futura administração, a secretária estadual das Cidades, Maria Gabriela Bessa, foi confirmada como responsável pela coordenação da equipe de transição. Douglas Ruas poderá indicar até cinco representantes para participar dos trabalhos, e os demais nomes deverão ser anunciados nos próximos dias.

Maria Gabriela ficará responsável pela articulação entre a atual administração estadual e a equipe do governador eleito,

Gestora pública e socióloga, Bessa assumiu a Secretaria das Cidades após a saída de Ruas do cargo para disputar o governo estadual. Agora, terá a missão de organizar o fluxo de informações e reunir os elementos necessários à preparação do próximo governo.

A coordenadora afirmou que o trabalho será direcionado à elaboração de um diagnóstico consistente da máquina pública, à identificação das prioridades administrativas e à definição de medidas que permitam ao governador eleito iniciar o mandato com planejamento e eficiência.

Orçamento de 2027 é um dos principais desafios

Um dos temas que devem concentrar as atenções durante a transição é o orçamento estadual de 2027. A proposta encaminhada pelo governo interino à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) prevê um déficit superior a R$ 13 bilhões, cenário que deverá exigir decisões sobre receitas, despesas e equilíbrio fiscal.

Douglas Ruas já manifestou discordância em relação ao texto apresentado e defendeu a discussão de ajustes antes da votação em plenário. Segundo ele, a proposta precisa ser analisada pelas comissões da Alerj para que sejam avaliadas alternativas capazes de reduzir o desequilíbrio das contas estaduais.

O assunto tem uma particularidade política: Ruas permanece na presidência da Assembleia Legislativa e, ao assumir o Palácio Guanabara, terá de enfrentar diretamente os desafios financeiros previstos para o próximo exercício.

A discussão do orçamento deverá, portanto, integrar as prioridades da futura administração, que precisará conciliar o funcionamento dos serviços públicos, os compromissos financeiros do estado e a execução das políticas consideradas essenciais para a população fluminense.

Com o início formal da transição, a expectativa é que o levantamento das informações permita à equipe de Douglas Ruas conhecer a situação administrativa e financeira do Rio de Janeiro antes de assumir o governo.