Zuenir Ventura é velado na ABL em despedida marcada por homenagens
Jornalista e escritor morreu aos 95 anos no Rio de Janeiro após mais de seis décadas dedicadas ao jornalismo e à literatura

O corpo do jornalista e escritor Zuenir Ventura, morto aos 95 anos na terça-feira (22), é velado nesta quarta-feira (23) na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro. Membro da instituição, o jornalista deixa uma trajetória de mais de 60 anos marcada pela cobertura de acontecimentos políticos, transformações sociais e episódios importantes da história brasileira.
O corpo chegou à sede da ABL pouco depois das 10h, acompanhado por familiares. Antes da entrada da imprensa, parentes tiveram um momento reservado para a despedida. O sepultamento está previsto para esta tarde, no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e dois filhos: o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.
A despedida reúne amigos, colegas e admiradores que destacam não apenas a importância de sua obra, mas também a personalidade acolhedora e generosa que marcou sua convivência profissional e pessoal. Coroas de flores foram enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo prefeito Eduardo Cavaliere, por colegas de redação de O Globo e por editores da Companhia das Letras.
A filha Elisa Ventura ressaltou o carinho que o jornalista demonstrava pelas pessoas que fizeram parte de sua vida.
“A maior mensagem que ele deixa é o amor que ele passava para todo mundo, para todas as pessoas que, de alguma forma, estiveram perto dele, trabalharam com ele, conviveram com ele”, afirmou.
Legado no jornalismo
Entre os amigos que prestaram homenagem está a jornalista Miriam Leitão, que destacou a inteligência, a generosidade e o bom humor de Zuenir.
“Ele era gentil, generoso, muito inteligente e bem-humorado. É uma perda para o jornalismo, mas também uma grande perda para o Brasil. Ao mesmo tempo, fiquemos com tudo o que o Zuenir nos ensinou. É um legado que não termina”, declarou.
O jornalista Ancelmo Gois, emocionado, lembrou a importância de Zuenir em sua própria trajetória profissional. Segundo ele, o jornalista tinha uma habilidade especial para reconhecer e incentivar novos talentos nas redações.
“Ele tinha uma habilidade muito grande de acolher os jovens jornalistas. Na redação, sabia identificar os talentos e dar oportunidades. O Zuenir foi um padrinho meu”, afirmou.
O cineasta Zenito Viana, diretor do documentário “Mestre Zu”, também recordou os mais de 60 anos de amizade com o jornalista. Entre as histórias vividas juntos, relembrou uma viagem à Amazônia em um pequeno avião que enfrentou momentos de turbulência.
Ao falar sobre a importância de Zuenir, Viana resumiu sua contribuição para o país: “A história do Brasil passou por ele. Era um repórter de vocação. É um legado imenso para as novas gerações.”
O economista e imortal da ABL Edmar Bacha, que conhecia Zuenir desde 1964, também ressaltou a dimensão de sua carreira. Segundo Bacha, o jornalista construiu uma vida profissional marcada pela passagem por diferentes veículos de imprensa do Rio de Janeiro e pela produção de reportagens que ajudaram a registrar e compreender momentos importantes do país.
Ao longo de mais de seis décadas, Zuenir Ventura consolidou-se como um dos nomes de referência do jornalismo brasileiro, unindo reportagem, análise e literatura. Sua produção acompanhou diferentes períodos da vida nacional e deixou uma contribuição que segue como referência para novas gerações de jornalistas e escritores.
Foto: Reprodução/Jéssica Evelin Araújo/g1














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