Coligação de Paes denuncia à Justiça Eleitoral panfletos que associam candidato aos números 13 e 22

Coligação de Paes denuncia à Justiça Eleitoral panfletos que associam candidato aos números 13 e 22

Defesa pede busca e apreensão na gráfica apontada como responsável pela produção dos materiais, perícia em equipamentos e suspensão imediata da distribuição. Paes fez campanha no Centro-Sul Fluminense

A campanha de Eduardo Paes (PSD) entrou novamente na Justiça Eleitoral contra materiais de propaganda que, segundo a coligação do candidato, estariam sendo utilizados para confundir os eleitores na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro. Em novo aditamento apresentado nesta terça-feira (6), a defesa afirma ter identificado panfletos que relacionam o nome de Paes aos números 13 e 22, embora o candidato esteja registrado na urna eletrônica com o número 55.

A representação é assinada pela Coligação Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir e amplia um pedido de busca e apreensão apresentado anteriormente. A campanha sustenta que a distribuição dos materiais faria parte de uma estratégia coordenada de desinformação durante o segundo turno.

Um dos novos panfletos apresenta, de um lado, a associação entre “Eduardo Paes governador e Lula presidente”, acompanhada da referência de que “Lula é 13”. Do outro, relaciona Douglas Ruas ao número 22. Para a defesa de Paes, a forma como as informações foram apresentadas poderia levar parte dos eleitores a associar equivocadamente o candidato do PSD ao número 13 no momento da votação.

defesa afirma ter identificado panfletos que relacionam o nome de Paes aos números 13 e 22

A petição também menciona outro material, encontrado em circulação nas ruas, no qual aparece a inscrição “Eduardo Paes 22”. O número 22 corresponde à candidatura de Douglas Ruas (PL), adversário de Paes no segundo turno.

Cerca de 204 mil votos anulados

A campanha de Paes relaciona a denúncia a um dado da votação do primeiro turno: aproximadamente 204 mil eleitores no Estado do Rio de Janeiro teriam digitado o número 13 para governador, resultando em votos nulos.

Segundo os dados apresentados na ação, o número é muito superior ao registrado para outros números que também resultaram em votos nulos. A defesa afirma que a quantidade chama atenção diante da associação feita nos panfletos entre Paes e o número 13.

No primeiro turno, Douglas Ruas terminou na liderança, com 4.271.199 votos (49,27% dos válidos), enquanto Eduardo Paes obteve 3.706.984 votos (42,76%). Com a disputa encaminhada para o segundo turno, a campanha do candidato do PSD argumenta que a continuidade da distribuição dos materiais poderia interferir na formação da vontade do eleitor.

Busca e apreensão

Além da retirada dos panfletos de circulação, a coligação pede à Justiça Eleitoral uma busca e apreensão ampliada na Gráfica EDG, em Niterói, apontada na ação como responsável pela produção de parte do material.

A defesa quer ainda que computadores, servidores, HDs, pendrives, cartões de memória e outros equipamentos sejam apreendidos para realização de perícia. O objetivo seria identificar quem contratou a produção, quem aprovou os layouts, a quantidade de material confeccionado e a cadeia de distribuição.

A campanha também pede a análise de arquivos digitais, ordens de serviço, registros de produção e comunicações eletrônicas que possam ajudar a esclarecer a origem dos panfletos.

Ministério Público Eleitoral

Outro pedido apresentado à Justiça é a comunicação do caso ao Ministério Público Eleitoral, para que sejam apurados possíveis crimes eleitorais.

A defesa sustenta que a associação de Eduardo Paes aos números 13 e 22 configuraria divulgação de informação falsa capaz de influenciar o eleitorado. A petição também retoma acusações relacionadas a outro panfleto, no qual, segundo a campanha, foram atribuídas a Paes posições políticas e comportamentos que ele não teria defendido.

A coligação solicita ainda que seja proibida a produção, reprodução e distribuição dos materiais questionados, inclusive em redes sociais e aplicativos de mensagens, sob pena de multa de R$ 10 mil por descumprimento.

A Justiça Eleitoral ainda deverá analisar os novos pedidos apresentados pela campanha. Até o momento, as alegações fazem parte da representação judicial e dependem da apreciação da Justiça e da eventual manifestação dos demais envolvidos.

Paes inicia segundo turno pelo interior

O candidato do PSD ao Governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, iniciou oficialmente sua campanha para o segundo turno com uma agenda pelo interior do estado. Ao lado da candidata a vice-governadora, Jane Reis (MDB), Paes esteve nesta terça-feira em Comendador Levy Gasparian, no Centro-Sul Fluminense, onde defendeu o respeito à decisão dos eleitores e voltou a questionar a situação jurídica envolvendo Anthony Garotinho.

Segundo Paes, a população foi às urnas no primeiro turno com Garotinho entre as opções de voto e decidiu levar a disputa para uma nova etapa. Para o candidato, qualquer mudança no resultado precisa respeitar a manifestação popular expressa nas urnas.

Paes também afirmou que, durante o primeiro turno, já havia alertado para o que classificou como uma estratégia eleitoral envolvendo Garotinho e Douglas Ruas (PL). O candidato do PSD disse que sua coligação havia recorrido à Justiça Eleitoral antes da votação para questionar a participação de Garotinho na disputa.

Agora, Paes defende que o segundo turno seja realizado conforme a decisão registrada pelos eleitores. A disputa entre ele e Douglas Ruas está prevista para o dia 25 de outubro.

Segurança nos locais de votação

Durante a visita, Paes também pediu maior presença das forças de segurança no segundo turno. O candidato afirmou ter recebido relatos de intimidação de mesários e eleitores por grupos ligados à milícia durante a primeira etapa da eleição, especialmente em áreas da Zona Oeste do Rio e da Baixada Fluminense.

A coligação pretende solicitar que as Forças Armadas e as forças policiais estejam posicionadas de maneira mais próxima aos locais considerados de maior risco.

Paes afirmou que a presença do Estado é necessária para garantir que o eleitor possa votar livremente e que o segundo turno ocorra sem interferências ou constrangimentos.

Educação como prioridade

Em Comendador Levy Gasparian, Paes visitou o CIEP Padre Joaquim Chaves de Figueiredo e utilizou os resultados do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como exemplo de que é possível melhorar a qualidade do ensino público por meio de parcerias entre Estado e prefeituras.

Entre as propostas apresentadas está a expansão para outros municípios do modelo dos Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), adotado durante sua gestão à frente da Prefeitura do Rio.

O candidato também prometeu triplicar a oferta de ensino técnico em tempo integral no estado, com a intenção de aproximar a formação dos estudantes das características econômicas de cada região.

A proposta, segundo Paes, é permitir que os jovens concluam o ensino médio já preparados para ingressar no mercado de trabalho.

Valorização dos servidores

Outro compromisso apresentado durante a agenda foi a valorização dos servidores públicos estaduais. Paes afirmou que pretende garantir reajustes anuais e assegurar que profissionais da Educação não recebam abaixo do piso da categoria.

O candidato também defendeu a implantação de um sistema de metas para os servidores, semelhante ao adotado na Prefeitura do Rio. Pelo modelo apresentado, o cumprimento de objetivos estabelecidos pelo governo poderia resultar no pagamento de um 14º salário.

A proposta seria aplicada a diferentes áreas da administração estadual, incluindo Educação, Saúde e Segurança, além de aposentados e pensionistas, segundo o candidato.

Agenda pelo interior

Depois de Comendador Levy Gasparian, Paes programou atividades de campanha em Três Rios, também no Centro-Sul Fluminense, e em Rio das Flores e Valença, no Médio Paraíba.

A estratégia marca o início da nova fase da disputa pelo Palácio Guanabara, agora concentrada no confronto direto entre Eduardo Paes e Douglas Ruas, em uma eleição que promete ampliar a disputa por votos na Região Metropolitana, na Baixada Fluminense e no interior do estad