Romaria do Pilar reúne milhares de fiéis e reafirma tradição religiosa da Baixada Fluminense
Em sua 43ª edição, celebração em Duque de Caxias reuniu devotos de cerca de 250 igrejas católicas, valorizou a memória histórica da região e reforçou os laços de fé entre gerações

A fé que atravessa gerações voltou a ocupar as ruas de Duque de Caxias nesta segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida. A 43ª edição da tradicional Romaria do Pilar reuniu milhares de católicos na Baixada Fluminense, com expectativa de público de aproximadamente 8 mil pessoas. Mais do que uma manifestação religiosa, o encontro reafirmou a força das tradições populares e a importância da preservação do patrimônio histórico e cultural da região.
Com a participação de fiéis de cerca de 250 igrejas católicas do estado do Rio de Janeiro, a peregrinação teve início às 6h, na Rodovia Washington Luiz, seguindo em direção à Igreja de Nossa Senhora do Pilar, localizada no segundo distrito de Duque de Caxias. O percurso foi marcado por orações, cânticos e demonstrações de devoção, em um movimento coletivo de agradecimento, pedidos de proteção e renovação da esperança.

Às 7h, os participantes se reuniram para a celebração da missa na igreja, um dos momentos mais significativos da programação. Para completar as atividades do dia, foi programada uma apresentação teatral sobre a vida de São Francisco de Assis, às 10h30, aproximando a tradição religiosa de reflexões sobre solidariedade, humildade e respeito à natureza.
Tradição faz parte da história da Baixada
Realizada desde 1983, a Romaria do Pilar conquistou um lugar especial no calendário religioso de Duque de Caxias e de outros municípios da Baixada Fluminense. Ao longo de mais de quatro décadas, a peregrinação passou a reunir famílias, comunidades paroquiais e devotos de diferentes gerações, fortalecendo os vínculos entre a religiosidade popular e a identidade cultural da região.
A importância da celebração ultrapassa os limites da Igreja Católica. Em maio de 2019, a romaria foi reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural de Natureza Imaterial de Duque de Caxias. O reconhecimento valoriza uma manifestação que integra a memória coletiva da população e representa a continuidade de costumes e práticas religiosas transmitidos ao longo do tempo.
A própria Igreja de Nossa Senhora do Pilar é um símbolo dessa história. Com 414 anos, segundo as informações divulgadas sobre a celebração, o templo está entre os mais antigos da Baixada Fluminense e constitui uma referência da presença histórica do catolicismo no território fluminense.
Fé e preservação do patrimônio
A edição deste ano também ganhou um significado especial com a possibilidade de visitação guiada ao interior da igreja e à sacristia, espaços que passaram por um processo de restauração iniciado em dezembro de 2019 e concluído em agosto de 2026.

A reabertura desses ambientes à visitação representa uma oportunidade para que moradores e peregrinos conheçam mais de perto a riqueza histórica e religiosa do templo. A preservação de construções centenárias como a Igreja do Pilar contribui para manter viva a memória da Baixada Fluminense, região cuja trajetória está profundamente ligada à formação histórica do estado do Rio de Janeiro.
A programação foi inspirada na missão de Maria e nos ensinamentos de São Francisco de Assis, destacando valores como evangelização, humildade, solidariedade e cuidado com a criação. A proposta conecta a tradição religiosa a temas contemporâneos e reforça a dimensão comunitária da celebração.
Uma manifestação que une gerações
A história da romaria também é construída pelas experiências pessoais de quem participa anualmente da caminhada. Entre os devotos estava o engenheiro Luan Pascoal, que mantém a tradição de acompanhar a peregrinação ao lado da mãe, Maria Pascoal.
Para ele, a participação representa uma oportunidade de agradecer pelas bênçãos recebidas, renovar a fé e compartilhar um momento especial em família. A experiência, segundo seu relato, ganha um significado ainda maior pela possibilidade de caminhar ao lado da mãe e de outros fiéis unidos pela mesma devoção.
Histórias como essa ajudam a explicar por que a Romaria do Pilar permanece viva depois de mais de quatro décadas. A celebração não se resume a uma data no calendário religioso: ela envolve relações familiares, experiências comunitárias e sentimentos que passam de uma geração para outra.
A força da religiosidade na Baixada
A Romaria do Pilar também evidencia a capacidade das manifestações religiosas de mobilizar pessoas de diferentes municípios e fortalecer os laços entre comunidades. Em uma região marcada pela diversidade social e cultural, a peregrinação mantém um espaço de encontro, convivência e expressão da fé.

A interrupção provocada pela pandemia de Covid-19, em 2020, representou uma ruptura em uma tradição consolidada. A retomada posterior permitiu que os devotos voltassem a se reunir e dessem continuidade a uma prática que faz parte da identidade religiosa de Duque de Caxias.
Ao chegar à 43ª edição, a Romaria do Pilar reafirma seu significado para a Baixada Fluminense: é uma celebração de fé, mas também de memória, pertencimento e preservação cultural. A caminhada até a igreja centenária demonstra que o patrimônio de uma região não está apenas em suas construções históricas, mas também nas tradições, nas histórias de vida e nos valores compartilhados por sua população.
Em Duque de Caxias, a devoção que mobiliza milhares de pessoas continua a manter viva uma parte importante da história fluminense, aproximando passado e presente e renovando, a cada edição, os laços entre a comunidade e suas raízes.
Fotos: Reprodução/TV Globo














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