Governo do Rio afasta cinco policiais após morte de secretário de Queimados durante ação na Avenida Brasil

Governo do Rio afasta cinco policiais após morte de secretário de Queimados durante ação na Avenida Brasil

Armas dos agentes foram apreendidas, e imagens de câmeras corporais e registros da ocorrência estão sob análise. Polícia Civil ainda não identificou de quais armas partiram os tiros que mataram Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave.

O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou o afastamento de cinco policiais militares envolvidos na ocorrência que terminou com a morte de Jefferson Dias da Silva, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados e ex-vereador. O caso aconteceu na noite de segunda-feira (19), na Avenida Brasil, na altura da Penha, Zona Norte da capital fluminense.

Conhecido como Jefferson da Linave, o político tinha 51 anos e dirigia um carro branco, modelo BYD, quando foi abordado por agentes do 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo policiamento na região da Maré. A dinâmica da ação ainda está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Policiais: perseguição e troca de tiros

Em depoimento à Polícia Civil, os militares afirmaram que receberam informações pelo rádio sobre um veículo branco que estaria trafegando em alta velocidade, com uma das rodas aparentemente em chamas.

Carro usado pela vítima ficou com várias marcas de tiros

Segundo os relatos, o automóvel foi localizado nas proximidades do Complexo da Maré. Os policiais disseram que deram ordem para o motorista desligar o carro e sair do veículo, mas Jefferson não teria obedecido à determinação.

Os agentes relataram ter ouvido disparos durante a ocorrência. Um dos policiais afirmou que atirou contra uma das rodas traseiras do automóvel, que continuou seguindo pela Avenida Brasil.

Ainda conforme os depoimentos, o motorista teria passado por outros dois pontos de bloqueio e realizado manobras que, na avaliação dos policiais, representaram risco à equipe.

Nas proximidades da comunidade Nova Holanda, os militares disseram ter ouvido novos tiros vindos de um dos acessos à região e afirmaram que reagiram aos disparos.

A perseguição terminou na altura da Passarela 14, quando uma viatura interceptou o BYD. O veículo perdeu o controle, rodou na pista e bateu contra a mureta de proteção.

Os policiais afirmaram que, após a colisão, o motorista ainda tentou movimentar o carro em marcha a ré. Segundo os depoimentos, foram realizados novos disparos, dessa vez direcionados aos pneus.

Agente afirma ter disparado com fuzil

Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que prestavam apoio à ocorrência, também relataram ter ouvido tiros durante a ação.

Um dos agentes declarou à Polícia Civil que efetuou sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm por considerar que havia uma situação de perigo iminente.

Após a imobilização do automóvel, os policiais se aproximaram e quebraram um dos vidros para acessar o interior do veículo. Jefferson foi encontrado morto, com ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.

Vídeos registrados por motoristas que passavam pela Avenida Brasil mostram policiais atirando em direção ao carro. As imagens integram o conjunto de elementos que podem auxiliar na reconstrução dos acontecimentos.

Polícia: origem dos tiros fatais

A Delegacia de Homicídios da Capital instaurou um inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte. Até o momento, os investigadores não conseguiram determinar de quais armas partiram os disparos que atingiram o secretário.

Também não foi possível estabelecer a origem dos tiros que, segundo os policiais, teriam sido ouvidos durante a perseguição.

As armas utilizadas pelos agentes que efetuaram disparos foram apreendidas para perícia. A investigação prevê exames técnicos, incluindo, se possível, confronto balístico, além da análise de imagens e dos resultados dos exames realizados no corpo da vítima.

A Polícia Civil busca esclarecer a sequência dos disparos e identificar as circunstâncias em que Jefferson foi atingido.

Corregedoria da PM apura o caso

Além da investigação criminal, a Polícia Militar instaurou um procedimento interno por meio da Corregedoria-Geral para verificar a conduta dos agentes envolvidos.

Em manifestação oficial, o Governo do Estado informou que acompanha o caso e destacou a necessidade de uma apuração rigorosa, célere e transparente.

O governo também expressou pesar pela morte do secretário e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. Segundo a administração estadual, todas as medidas cabíveis serão adotadas para esclarecer os fatos e assegurar as responsabilizações pertinentes.

A Polícia Militar declarou que está colaborando com as investigações conduzidas pela Polícia Civil. A corporação também informou que o local da ocorrência foi preservado para a realização da perícia.

Trajetória política e repercussão

Jefferson Dias da Silva era filiado ao partido Democracia Cristã (DC), foi vereador em Queimados e ocupava o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Econômico. Ele era casado e tinha uma filha.

O prefeito de Queimados, Glauco Kaizer, esteve no local da ocorrência e acompanhou os trabalhos periciais. Após a confirmação da morte, publicou uma mensagem de pesar, destacando a perda do secretário e prestando solidariedade à família.

A Prefeitura de Queimados também divulgou uma nota lamentando o falecimento e manifestando apoio à esposa, à filha e aos demais familiares.

A esposa de Jefferson, Cíntia Belchior, foi ouvida pelos investigadores. Até o momento, não havia confirmação sobre a presença dela no veículo durante a abordagem policial.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), na região central do Rio. As informações sobre o velório e o sepultamento não haviam sido divulgadas.

As investigações continuam para esclarecer a dinâmica da ocorrência, determinar a origem dos disparos fatais e apurar eventuais responsabilidades.

Fotos: Reprodução