Mulher presta depoimento após vídeo de saudação nazista em escola no Rio
Érica Marques Pinho deixou a delegacia sem falar com a imprensa. Seu advogado afirma que o gesto foi uma reação debochada a acusações feitas durante uma discussão; o caso é investigado como injúria por preconceito.

A professora de inglês Érica Marques Pinho, de 46 anos, prestou depoimento nesta segunda-feira na 10ª DP, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Ela chegou pouco antes das 11h e saiu por volta das 13h20, sem falar com a imprensa.
O caso aconteceu no Colégio Santo Inácio, durante o exercício do voto. Um vídeo mostra Érica cruzando o pátio da escola em direção à saída enquanto ergue o braço direito em um gesto associado à saudação nazista. A ocorrência foi registrada como injúria por preconceito.
Antes do depoimento, o advogado Marcello Ramalho disse que Érica foi chamada de nazista e racista por usar uma camisa do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e um boné com a frase “Make America Great Again”, slogan popularizado por Donald Trump. Segundo ele, o gesto foi uma provocação, sem intenção de demonstrar apoio ao racismo.
“Ela foi chamada de nazista, de racista, porque estava com o boné do Trump. Quando ela levanta o braço, foi um tom de deboche às acusações recebidas”, afirmou Ramalho. O advogado também disse que Érica pretende pedir desculpas à comunidade judaica e que as falas durante a discussão ocorreram “no calor” do momento.
Federação Israelita repudiou o episódio

Ian Andrade, que é judeu e gravou a cena, contou que soube por uma amiga que a mulher teria feito o gesto na entrada da escola. Como não presenciou esse primeiro episódio, esperou que ela saísse para entender o que havia acontecido. Ao questioná-la, registrou a discussão em vídeo.
“Tenho 31 anos e nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, disse Ian. Ele relatou ter sentido “um enjoo, um nojo” e afirmou que outras pessoas também acompanharam a discussão e começaram a filmar.
Em nota, a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) repudiou o episódio. A entidade afirmou ter recebido um relato, acompanhado de vídeo, segundo o qual a saudação teria sido repetida mesmo após questionamentos. De acordo com a nota, quando a mulher foi informada de que uma das pessoas presentes era judia, teria respondido: “Pior ainda”.
A Fierj classificou o episódio como inaceitável e informou que comunicou o caso às autoridades. A entidade disse que acompanhará a investigação e cobrará a adoção das medidas legais cabíveis.
O significado histórico do gesto
Depois que os nazistas chegaram ao poder, em 1933, a saudação foi incorporada a cerimônias oficiais e a situações cotidianas na Alemanha. Em geral, era acompanhada da expressão “Heil Hitler”.
O gesto se tornou um dos símbolos do regime nazista, responsável pelo assassinato de cerca de 6 milhões de judeus durante o Holocausto, além da perseguição e morte de milhões de outras pessoas entre 1933 e 1945.
Fotos: Reprodução














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