Projeto “Mãos que Falam” promove inclusão e aprendizado de Libras em escola de Nova Iguaçu
A iniciativa aproxima os estudantes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), estimula o respeito às diferenças e contribui para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo.

Aprender uma nova forma de se comunicar, desenvolver a empatia e compreender a importância da acessibilidade. Essas são algumas das experiências proporcionadas pelo projeto “Mãos que Falam”, desenvolvido na Escola Municipal Professora Irene da Silva Oliveira, no bairro Vila de Cava, em Nova Iguaçu. A iniciativa aproxima os estudantes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), estimula o respeito às diferenças e contribui para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo.
A proposta vai além do ensino de sinais. Ao conhecerem a Libras, os alunos descobrem outras possibilidades de comunicação e entendem que a inclusão também depende da disposição de cada pessoa em aprender a se comunicar com o outro. Dessa forma, o projeto busca ampliar o diálogo com pessoas surdas e preparar os estudantes para situações que podem fazer parte de seu cotidiano dentro e fora da escola.
Iniciado há poucos meses, o projeto contempla estudantes que estão se preparando para ingressar no segundo segmento do Ensino Fundamental. A proposta, no entanto, é ampliar gradualmente o alcance das atividades, envolvendo os profissionais de educação da unidade.

A professora e intérprete de Libras Taiane Saize (foto), responsável pela iniciativa, destaca que o aprendizado da língua representa uma oportunidade de ampliar a acessibilidade para além dos limites da escola.
“É uma questão de visão e acessibilidade, é algo que vai além dos muros da escola. A ideia é fazer os alunos aprenderem que existe uma forma de comunicação diferente e que, lá fora, ela pode ser muito útil. Queremos que eles tenham domínio sobre essa língua”, afirmou.
Além de contribuir para o desenvolvimento dos estudantes, o projeto estimula valores como empatia, respeito e solidariedade. A proposta também desperta a reflexão sobre as barreiras de comunicação enfrentadas pelas pessoas surdas e sobre a importância de construir espaços nos quais todos possam participar.
Iniciativa tem boa aceitação
Para a secretária municipal de Educação, Virgínia Rocha, iniciativas como essa demonstram o papel da escola na formação de cidadãos mais conscientes e preparados para conviver com as diferenças.
“Aprender Libras é abrir portas para o diálogo e o respeito. Projetos como o ‘Mãos que Falam’ mostram aos nossos estudantes que a inclusão começa com pequenas atitudes e com a disposição de compreender o outro, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e solidários”, destacou.
O envolvimento dos alunos também já pode ser percebido no dia a dia da unidade. Segundo a diretora adjunta, Marinalva Costa, o interesse pelas aulas tem refletido na convivência entre as crianças, que passaram a utilizar o que aprendem em diferentes momentos da rotina escolar.
“É um projeto interessante e que queremos levar para frente. As crianças estão muito interessadas, se desenvolvendo bem e com facilidade. Consigo vê-las no recreio trocando umas com as outras, falando em Libras e até mesmo cantando”, contou.
O que dizem os alunos
Para os estudantes, aprender Libras tem sido uma experiência de descoberta. Jhully Silva, de 11 anos, aluna do 5º ano, conta que nunca havia participado de uma atividade como essa e que deseja continuar aprendendo.
“É muito legal e eu quero continuar participando, ter mais vezes como o dia de hoje. Aprender as expressões faciais e como falar com as mãos são o que mais gosto nas aulas. Hoje aprendi minha expressão favorita, como demonstrar surpresa”, disse.
Já para Lúcia Helena Oliveira, de 13 anos, também aluna do 5º ano, as aulas se tornaram um dos momentos favoritos da rotina escolar. Ela conta que, antes de participar, acreditava que não teria facilidade para aprender a língua, mas a experiência mudou sua percepção.

“Tenho gostado bastante do projeto. É uma forma nova de me comunicar com outras pessoas. Eu nunca tinha pensado em participar de um projeto de Libras porque achava que não tinha capacidade de aprender, mas aqui vejo que tenho, sim. Todos temos. É bastante interessante que todos aprendam, vão gostar. Tenho tido mais facilidade com Libras do que com as matérias regulares”, brincou.
Com a participação e o interesse dos estudantes, o “Mãos que Falam” transforma o aprendizado em uma oportunidade de convivência e troca de experiências. Mais do que memorizar sinais, as crianças passam a compreender que a comunicação pode acontecer de diferentes maneiras e que conhecer essas possibilidades é também uma forma de promover respeito, autonomia e inclusão.














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