Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro promove palestra para fortalecer o combate ao racismo dentro e fora das instituições
Encontro reuniu participantes no Fórum Central, utilizou obras de Djamila Ribeiro e Neusa Santos Souza como referências e incentivou a reflexão sobre o racismo estrutural e a valorização da população negra.

A reflexão sobre o racismo e a importância de combater práticas discriminatórias esteve no centro de uma palestra promovida nesta sexta-feira (16) pela Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas (Vepema), no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Com o tema “Seja Antirracista”, a atividade foi realizada no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, no Fórum Central, como parte do programa Pena Justa e do ciclo “60 Minutos de Empoderamento – Letramento Racial”.
A palestra foi conduzida por Patrícia Goes, doutoranda em Direito Penal e especialista em Violência de Gênero e Criminologia Crítica. O encontro, em sua terceira edição, teve como referência o livro Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e escritora Djamila Ribeiro, publicado em 2019 pela Companhia das Letras.
A iniciativa foi direcionada especialmente às pessoas que cumprem medidas alternativas e que podem utilizar a participação para o abatimento de horas de suas penas. O evento também foi aberto ao público, ampliando o acesso ao debate sobre igualdade racial, discriminação e responsabilidade social.
Reflexão para transformar atitudes
Durante a apresentação, Patrícia Goes destacou a necessidade de reconhecer comportamentos racistas e compreender como o preconceito se manifesta nas relações cotidianas e nas instituições.
Segundo a palestrante, a escolha da obra de Djamila Ribeiro teve como propósito oferecer ferramentas para que os participantes identifiquem atitudes discriminatórias e adotem práticas concretas de enfrentamento ao racismo estrutural.
A proposta é estimular uma mudança de postura que ultrapasse o discurso e se traduza em ações cotidianas, contribuindo para uma sociedade mais consciente e comprometida com o respeito à diversidade.
O participante Leandro Lacerda também ressaltou a importância de ampliar o espaço de debate sobre as questões raciais no Brasil. Para ele, reconhecer a representatividade e valorizar a população negra e das periferias são passos fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa.
Leandro destacou ainda que iniciativas como essa ajudam a dar visibilidade às pessoas que enfrentam o racismo, fortalecendo suas vozes e contribuindo para o reconhecimento de seus direitos.
Literatura como instrumento de conscientização
Ao final da atividade, todos os participantes receberam exemplares de duas obras importantes para a discussão das relações raciais no país: Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro, e Tornar-se Negro, da escritora e psicanalista Neusa Santos Souza.
A distribuição dos livros buscou ampliar o contato dos participantes com reflexões sobre identidade, discriminação, desigualdade racial e os caminhos para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
A programação do ciclo “60 Minutos de Empoderamento – Letramento Racial” será encerrada em 13 de novembro, às 11h, no Auditório Desembargador Nelson Ribeiro Alves, no Fórum Central.
O último encontro terá como tema “Perspectiva Diaspórica: Consciência Negra, Legalidade e História” e será conduzido por Jamille Lopes, mestranda em História.
A iniciativa encerra uma sequência de atividades voltadas à ampliação do conhecimento sobre as relações raciais e à promoção de uma cultura de respeito, igualdade e enfrentamento à discriminação.
Foto: Kaíque Galiza/TJRJ














Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.