Operação Escola de Papel mira contratos da Educação do RJ e apura possível desvio de até R$ 1,6 bilhão

Operação Escola de Papel mira contratos da Educação do RJ e apura possível desvio de até R$ 1,6 bilhão

Polícia Civil e MPRJ cumprem 19 mandados de busca na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos; ex-secretária Roberta Barreto está entre os investigados

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram nesta quinta-feira (1º) a Operação Escola de Papel, que investiga possíveis irregularidades em contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ). As apurações abrangem contratações realizadas entre 2024 e 2025 e apontam para um possível prejuízo aos cofres públicos que pode chegar a R$ 1,6 bilhão.

Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, em endereços localizados na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos. As medidas foram autorizadas pela Justiça e também incluem o bloqueio de bens dos investigados, estimado em aproximadamente R$ 19 milhões. Nesta etapa, não foram expedidos mandados de prisão.

Entre os alvos da investigação estão a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira, seu genro Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, o ex-subsecretário de Gestão Administrativa da Seeduc David de Andrade Marinho Filho e o empresário Fabio Martins Pereira, apontado pelos investigadores como operador financeiro do suposto esquema.

Segundo o MPRJ, a investigação busca esclarecer possíveis crimes relacionados ao direcionamento de contratações públicas, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O trabalho também pretende identificar o caminho percorrido pelos recursos destinados às reformas de unidades da rede estadual.

Um dos pontos analisados envolve a empresa MCK Reformas e Construções Ltda., que teria recebido cerca de R$ 6 milhões em contratos. Os investigadores apuram ainda a movimentação de valores em espécie e possíveis repasses para outras empresas relacionadas ao caso.

Saques elevados em dinheiro vivo

A apuração ganhou força após informações sobre saques elevados em dinheiro vivo. Em janeiro deste ano, o proprietário da MCK teria sido acompanhado por investigadores durante a retirada de R$ 500 mil em uma agência bancária de Duque de Caxias. O episódio passou a integrar o conjunto de elementos analisados na investigação.

Outro aspecto sob análise é a capacidade operacional das empresas contratadas. Segundo os investigadores, a MCK funcionaria em um endereço residencial e não apresentaria estrutura compatível com a execução de contratos de grande porte, embora tenha sido responsável por serviços de reforma em escolas estaduais.

Dados levantados nas apurações indicam que o sistema descentralizado utilizado para financiar obras e serviços da rede estadual movimentou R$ 630,2 milhões em 2024 e R$ 513,3 milhões em 2025, ultrapassando R$ 1,1 bilhão no período. Também foram identificados indícios de relações entre empresas que participavam de concorrências, incluindo possíveis vínculos em estruturas administrativas e de consultoria.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) também abriu investigação para verificar possíveis irregularidades nas contratações e na utilização dos recursos destinados às reformas das escolas.

As suspeitas ainda estão em fase de investigação e não representam, neste momento, conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal ou dano efetivamente causado aos cofres públicos. As defesas dos investigados não haviam se manifestado até a atualização das informações.

Seeduc afirma que revisa contratos

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que já realiza uma revisão dos contratos e procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo da rede estadual.

A pasta afirma ter adotado medidas para reforçar os mecanismos de controle e estabelecido limite de R$ 130 mil para contratações destinadas a manutenção e pequenos reparos. Serviços acima desse valor passaram a ser classificados como obras de maior porte e encaminhados para execução pela Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop-RJ).

A Seeduc também declarou que está colaborando com o Ministério Público, o TCE-RJ, a Polícia Civil e demais órgãos responsáveis pelas apurações.