Justiça mantém prisão de Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil em investigação da PF

Justiça mantém prisão de Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil em investigação da PF

Oitava fase da Operação Unha e Carne apura suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos, utilizando uma rede de 96 postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

A Justiça Federal decidiu, nesta sexta-feira (16), manter as prisões preventivas do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Os dois foram presos na quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal (PF).

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e mantidas após as audiências de custódia. A investigação busca esclarecer a atuação de uma suposta organização criminosa que, segundo a PF, utilizaria uma estrutura empresarial do setor de combustíveis para movimentar recursos de origem ilícita.

A operação é um desdobramento de uma etapa anterior da investigação, realizada em julho deste ano. Na ocasião, Canella e Amim já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão.

Movimentação bilionária

De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado uma rede de 96 postos de combustíveis localizados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro. A apuração também investiga possíveis conexões entre integrantes da organização, agentes públicos e articulações político-institucionais.

Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o grupo teria movimentado R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. Os valores estão no centro das apurações sobre a possível utilização de empresas para ocultar a origem e a circulação de recursos financeiros.

Além de Canella e Marcus Amim, a operação resultou na prisão de quatro inspetores da Polícia Civil: Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Assim como os demais investigados presos, eles tiveram as prisões mantidas após as audiências de custódia.

Bloqueio de bens e suspensão de empresas

Por determinação judicial, também foram autorizados o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas. A maioria dos estabelecimentos atingidos pelas medidas pertence ao segmento de combustíveis.

A decisão busca impedir a continuidade das atividades econômicas suspeitas e preservar o patrimônio que poderá estar relacionado aos fatos investigados.

Suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção

Conforme a Polícia Federal, os investigados poderão responder, de acordo com as condutas atribuídas individualmente a cada um, por suspeitas de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comercialização ilegal de combustíveis e formação de cartel.

As investigações prosseguem para esclarecer a dimensão do suposto esquema, identificar a participação de cada envolvido e reunir elementos sobre a movimentação financeira atribuída à organização.