Lula reúne apoiadores na Avenida Paulista e cobra mobilização para o segundo turno

Lula reúne apoiadores na Avenida Paulista e cobra mobilização para o segundo turno

Em ato com lideranças políticas e representantes de entidades ligadas à educação e à ciência, presidente defende a participação dos eleitores, aborda o fim da escala 6×1 e apresenta propostas para segurança pública e desenvolvimento tecnológico.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou neste domingo (11) de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu apoiadores, militantes e importantes lideranças políticas. Durante o evento, Lula destacou a importância de ampliar o diálogo com os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno e convocou seus apoiadores a intensificarem a mobilização eleitoral.

O ato aconteceu nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e também teve como pauta a defesa da democracia, do financiamento público da educação e da pesquisa científica. A manifestação contou com a participação de organizações estudantis e instituições representativas da comunidade acadêmica.

Ao discursar, Lula chamou a atenção para o elevado número de brasileiros que deixaram de votar na primeira etapa da eleição. Segundo o presidente, é necessário buscar esses eleitores e mostrar a importância da participação popular na definição dos rumos do país.

Lula defendeu a importância da participação popular na definição dos rumos do país.

Ele ressaltou que o diálogo deve alcançar diferentes gerações, inclusive pessoas com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, além de cidadãos que se afastaram do processo eleitoral por outros motivos.

Educação, ciência e democracia

A mobilização foi convocada por entidades como a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC).

As organizações defenderam o fortalecimento das universidades, a ampliação dos investimentos em pesquisa, a valorização de professores e cientistas e a autonomia das instituições de ensino superior.

Entre as autoridades presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ex-ministra Marina Silva, o ministro Guilherme Boulos e os governadores Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.

Durante o discurso, Lula também voltou a criticar a condução do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. O presidente afirmou que a reconstrução das políticas públicas exige mais esforço do que o processo de desmonte e condenou declarações e atitudes do ex-presidente diante da crise sanitária.

Tecnologia e segurança pública

Ao abordar os planos para um eventual novo mandato, Lula apontou a transformação tecnológica como uma das prioridades de seu projeto de governo. Entre os objetivos mencionados estão a formação de profissionais em inteligência artificial, o desenvolvimento da indústria digital e o avanço da transição energética.

Na área de segurança pública, o presidente defendeu mudanças para ampliar a capacidade de atuação do Estado no enfrentamento à criminalidade.

Lula afirmou que pretende combinar medidas de prevenção, fortalecimento das instituições e combate às organizações criminosas, com o objetivo de garantir mais tranquilidade à população.

O presidente também criticou propostas que, segundo ele, podem reduzir direitos sociais e prejudicar trabalhadores, aposentados e famílias de menor renda. Na avaliação de Lula, o resultado da eleição terá impacto direto sobre o futuro das políticas sociais e econômicas brasileiras.

Fim da escala 6×1 no debate eleitoral

Antes de participar da manifestação, Lula conversou com jornalistas e comentou a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um.

O presidente afirmou que a votação da proposta estava prevista para quarta-feira e declarou que a oposição deveria assumir publicamente sua posição sobre a possibilidade de ampliar o período de descanso dos trabalhadores.

Lula também disse que o calendário havia sido discutido com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e criticou eventuais tentativas de adiar a análise da matéria.

Para o presidente, a discussão representa um dos temas centrais do debate sobre as condições de trabalho no país. Ele cobrou que os partidos deixem claro se apoiam ou rejeitam mudanças na jornada.

PEC da Segurança Pública

Outro assunto abordado foi a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Lula defendeu a participação do governo federal na formulação de estratégias de combate ao crime organizado e a definição das responsabilidades dos diferentes níveis de governo.

A proposta integra o debate sobre a coordenação das forças de segurança e a atuação conjunta da União, dos estados e dos municípios.

O presidente também voltou a criticar medidas econômicas que atribui ao campo político adversário, fazendo comparações com as políticas implementadas pelo presidente argentino Javier Milei.

Presidente questiona decisões da Justiça

Durante a conversa com a imprensa, Lula criticou uma decisão do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionada ao canal do deputado federal André Janones.

O presidente classificou a medida como inadequada e afirmou que os advogados ligados à sua candidatura deveriam solicitar esclarecimentos à Justiça Eleitoral.

Lula também manifestou preocupação com decisões envolvendo perfis nas redes sociais associados ao seu grupo político. Segundo ele, é necessário garantir condições equilibradas para a atuação das candidaturas durante a campanha.

As declarações acrescentaram um novo capítulo à discussão sobre a atuação da Justiça Eleitoral e os limites da utilização das plataformas digitais no período eleitoral.

Mobilizações em Campinas e Belo Horizonte

A mobilização de apoiadores de Lula não ficou restrita à capital paulista. Em Campinas, no interior de São Paulo, manifestantes se concentraram no Largo do Rosário, no Centro, para participar da chamada Marcha pela Democracia.

A caminhada percorreu ruas da região central e terminou por volta das 13h20, com a liberação do trânsito após a dispersão dos participantes.

Em Belo Horizonte, apoiadores realizaram um bandeiraço no quarteirão fechado da Rua dos Carijós, na região central. Na sequência, os participantes seguiram em caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.

A operação de trânsito na capital mineira contou com o monitoramento de equipes da BHTrans, da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar.

As manifestações em diferentes cidades demonstraram a estratégia de mobilização de apoiadores na reta decisiva da disputa presidencial, com temas como democracia, direitos trabalhistas, segurança pública e políticas sociais ocupando espaço central no debate eleitoral.

Foto: Reprodução