Mulheres que se preparam para proteger, cuidar e transformar Nova Iguaçu
Curso “Mulheres Resilientes” fortalece o protagonismo feminino, amplia conhecimentos e transforma 39 iguaçuanas em agentes de prevenção e proteção dentro de suas comunidades

Conhecimento também é uma forma de proteção. E, quando chega às mãos das mulheres, pode se transformar em força, autonomia e capacidade de transformar realidades. Foi com esse espírito que 39 mulheres de Nova Iguaçu concluíram o curso “Mulheres Resilientes: Capacitação de Mulheres para Prevenção e Resposta a Perigos e Desastres”, uma iniciativa que vai muito além de ensinar como agir diante de uma emergência.
Durante 68 horas de formação, as participantes aprenderam a reconhecer riscos, prestar os primeiros socorros, agir em situações de emergência e contribuir para a segurança de suas famílias e comunidades. Mais do que uma capacitação técnica, o curso representou uma oportunidade de fortalecimento da cidadania, valorização da mulher e ampliação do seu papel na construção de uma cidade mais preparada e solidária.

39 mulheres de Nova Iguaçu concluíram o curso de Prevenção e Resposta a Perigos e Desastres
A cerimônia de formatura aconteceu na noite desta segunda-feira (10), no Teatro Sylvio Monteiro, reunindo formandas, familiares, professores e autoridades.
Promovida pela Secretaria Municipal da Mulher de Nova Iguaçu, em parceria com a Defesa Civil municipal, o projeto teve início em 15 de junho, com aulas presenciais e atividades práticas em campo. Como trabalho de conclusão, as participantes elaboraram Planos Comunitários de Proteção e Defesa Civil para os bairros Santa Rita, Moquetá, Comendador Soares e Cabuçu.
Segundo o governo municipal, a proposta é clara: fazer com que a mulher não seja apenas alguém a ser protegida em momentos de crise, mas também uma protagonista na prevenção, na tomada de decisões e na proteção coletiva.
Durante a capacitação, elas conheceram o funcionamento da Defesa Civil e receberam orientações sobre prevenção de acidentes domésticos, segurança com gás de cozinha, primeiros socorros, suporte básico de vida, prevenção de afogamentos, saúde mental e organização comunitária.
Com a participação de 11 professores e profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), o curso aproximou teoria e prática, preparando as mulheres para situações que podem ocorrer dentro de casa, nas ruas ou em suas comunidades.
O conhecimento produzido pelas formandas poderá ainda contribuir para o aprimoramento das políticas públicas. Os planos comunitários elaborados serão avaliados pela Defesa Civil e poderão colaborar com a atualização do plano de contingência do município.

Para o secretário municipal de Defesa Civil, Tenente-Coronel Jorge Ribeiro Lopes (foto), preparar a população é fundamental para que as estratégias de prevenção funcionem na prática.
“É muito importante que a população saiba quais são os riscos do território, quais são as ameaças e como se comportar em situações reais. Não faz sentido a Defesa Civil criar um plano se a população não souber como agir”, destacou.
Quando conhecimento vira empoderamento
A vice-prefeita e secretária da Mulher, Doutora Roberta Teixeira, destacou que a formação nasceu de uma demanda apresentada pelas próprias mulheres e ressaltou a importância de multiplicar o conhecimento adquirido.
A ideia é que cada uma das 39 formandas se torne uma multiplicadora de informação, prevenção e cidadania, levando o aprendizado para dentro de suas famílias e comunidades.
“Foi um curso desenvolvido a muitas mãos, que partiu de uma demanda das nossas mulheres de estarem preparadas para lidar com essas catástrofes climáticas, todas que vêm acontecendo no mundo de uma forma geral. Espero que o resultado se multiplique e que essas mulheres consigam transmitir para outras mulheres tudo isso que elas aprenderam nesse curso”, afirmou.

Doutora Roberta Teixeira: preparando mulheres para lidar com as catástrofes climáticas que vêm acontecendo no mundo
O resultado é uma rede que começa com 39 mulheres, mas pode alcançar centenas de outras pessoas. Afinal, quando uma mulher aprende, ela compartilha. Quando se fortalece, ajuda a fortalecer outras. E quando conhece seus direitos e sua capacidade de agir, passa a ocupar novos espaços na sociedade.
Uma conquista que ultrapassa a sala de aula
Entre as formandas estava Juliana Xavier, cuidadora de idosos com dez anos de experiência. Para ela, o curso trouxe conhecimentos que serão úteis tanto na vida pessoal quanto profissional.
“Hoje eu já me sinto preparada para prestar um socorro. Com certeza, no meu trabalho como cuidadora, isso vai se somar mais ainda. Quando cheguei ao curso, não sabia se conseguiria, mas fui até o fim. Hoje é um sentimento de gratidão, emoção e superação.”
A estudante de psicologia Silvia Salto de Souza, de 40 anos, também deixou a cerimônia com a sensação de que a capacitação poderá fazer diferença em momentos decisivos.
“Hoje eu me sinto muito mais preparada para qualquer tipo de situação. Acho que todas as mulheres deveriam fazer um curso como esse porque, além de prático, a gente leva o conhecimento para a vida. Podemos ajudar nossa população e nossos familiares em algumas situações de desespero.”
As palavras das duas formandas resumem o verdadeiro significado da iniciativa: não se trata apenas de aprender a agir diante de um desastre, mas de descobrir que cada mulher possui conhecimento, capacidade e poder para fazer a diferença.
Em uma sociedade que ainda enfrenta desigualdades e diferentes formas de violência e vulnerabilidade, iniciativas que ampliam o acesso das mulheres à informação, à formação e à participação comunitária também representam avanços na promoção dos direitos humanos.
Ao receberem seus certificados, as 39 mulheres encerraram uma etapa, mas iniciaram outra ainda mais importante: a de levar adiante aquilo que aprenderam.
Porque uma cidade mais segura começa com pessoas preparadas. E uma sociedade mais justa se constrói quando suas mulheres têm voz, conhecimento, autonomia e espaço para transformar.
Uma segunda turma do projeto Mulheres Resilientes deverá ser realizada pela Secretaria Municipal da Mulher. A nova edição ainda não tem data definida.














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