Quaest: brasileiros dividem temores entre Lula e a família Bolsonaro

Quaest: brasileiros dividem temores entre Lula e a família Bolsonaro

Levantamento aponta que 43% dos entrevistados temem a volta dos Bolsonaro ao poder, enquanto a mesma proporção demonstra receio de mais um mandato do atual presidente. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o medo da família Bolsonaro aumentou.

A disputa pela Presidência da República no segundo turno é marcada não apenas pelas intenções de voto, mas também pela divisão dos sentimentos do eleitorado em relação aos dois candidatos. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) revela que 43% dos brasileiros têm medo de uma possível volta da família Bolsonaro ao poder, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição. O mesmo percentual manifesta receio de mais quatro anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, o levantamento mostra que a rejeição e as preocupações com os dois projetos políticos permanecem equilibradas entre os entrevistados.

Na comparação com a pesquisa realizada em 3 de outubro, antes do primeiro turno, o percentual de brasileiros que temem o retorno da família Bolsonaro subiu de 40% para 43%. Já o índice dos que demonstram medo da reeleição de Lula permaneceu estável em 43%, patamar registrado desde 21 de setembro.

Jovens também dividem suas preocupações

Entre os eleitores de 16 a 24 anos, a pesquisa identificou uma mudança nas percepções sobre os dois candidatos. O percentual dos que temem a volta da família Bolsonaro passou de 39%, em 3 de outubro, para 45% no levantamento mais recente.

No mesmo grupo etário, o medo de mais um mandato de Lula caiu de 48% para 45%. Os números indicam uma aproximação entre as duas preocupações nesse segmento do eleitorado.

O que mais preocupa os eleitores?

Além de medir o temor em relação aos dois possíveis governos, a Quaest perguntou aos entrevistados quais seriam os principais motivos de suas preocupações.

Entre aqueles que temem a volta da família Bolsonaro, a principal justificativa é a antipatia por Flávio Bolsonaro ou pelos integrantes da família, mencionada por 16% dos entrevistados desse grupo.

Outras preocupações aparecem empatadas, com 11% cada: o risco de autoritarismo, golpe ou ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF); a avaliação negativa do governo de Jair Bolsonaro; e a possibilidade de redução ou encerramento de programas sociais.

A corrupção, incluindo referências ao esquema de rachadinhas e ao caso Master, foi citada por 9%. Já o preconceito e o risco de perda de direitos aparecem em 8% das respostas.

Também foram mencionados o temor de piora da economia e do custo de vida, a condução da pandemia e o negacionismo, além de preocupações com armas, violência e milícias.

Corrupção e economia: temores sobre Lula

Entre os entrevistados que têm medo de mais um mandato do presidente Lula, a corrupção, incluindo referências a Lulinha e ao INSS, aparece como a principal preocupação, com 32% das respostas.

A possibilidade de piora da economia e aumento do custo de vida vem em seguida, com 20%. Outros 16% apontam uma avaliação negativa do atual governo como motivo de receio.

Também foram citados o risco de concentração de poder, a insatisfação pessoal com Lula, os impostos e os gastos públicos. Segurança pública, valores religiosos e familiares e preocupações com o funcionamento das instituições também aparecem entre as justificativas, embora com percentuais menores.

Intenção de voto mantém disputa acirrada

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira também mediu as intenções de voto para o segundo turno presidencial. Flávio Bolsonaro aparece com 46%, enquanto Lula registra 44%.

Os números configuram empate técnico, uma vez que a diferença de dois pontos percentuais entre os candidatos está dentro da margem de erro do levantamento.

Os eleitores indecisos representam 1%, enquanto 9% afirmam que pretendem votar em branco ou nulo ou não comparecer às urnas.

Metodologia

A pesquisa Quaest ouviu 2.154 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.