FENAJ critica debate da Band e cobra mais rigor jornalístico nas eleições

FENAJ critica debate da Band e cobra mais rigor jornalístico nas eleições

Entidade e sindicatos filiados condenam o excesso de provocações e ataques pessoais no confronto entre candidatos e defendem regras mais rigorosas para combater a desinformação e garantir informações de interesse público.

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e os sindicatos da categoria filiados à entidade divulgaram, nesta segunda-feira (19), uma manifestação de repúdio à condução e ao formato do debate eleitoral realizado pela TV Bandeirantes no último domingo (18). Para a organização, o encontro, que deveria contribuir para o esclarecimento dos eleitores, acabou marcado por provocações, bordões e ataques, deixando em segundo plano a discussão de propostas e os temas de interesse da população.

Na avaliação da entidade, o modelo adotado pela emissora comprometeu o papel do jornalismo como instrumento de informação e fortalecimento da democracia. A FENAJ sustenta que debates eleitorais não podem ser reduzidos a espetáculos destinados a gerar audiência ou alimentar disputas nas redes sociais.

Falta de confronto de informações

A federação argumenta que a realização de um debate democrático exige mais do que a divisão igualitária do tempo entre os candidatos. É necessário, segundo a manifestação, estabelecer mecanismos que garantam respostas objetivas, confrontem informações falsas e permitam aos eleitores avaliar os argumentos apresentados.

O documento também questiona a responsabilidade editorial da emissora e considera insuficientes as regras utilizadas para assegurar o cumprimento dos objetivos jornalísticos do encontro.

Embora reconheça a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, a FENAJ direciona suas críticas principalmente à condução editorial do debate e à ausência de instrumentos capazes de impedir que provocações e encenações prevaleçam sobre a discussão de propostas.

Para a entidade, a imparcialidade jornalística não deve ser confundida com a ausência de questionamentos diante de informações falsas ou declarações que possam induzir o público ao erro.

Saúde, educação e emprego em segundo plano

Outro ponto destacado pela federação é o espaço reduzido dedicado a questões fundamentais para o país. Na avaliação da organização, temas como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade social, segurança pública, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais precisam ocupar lugar central nos confrontos entre candidatos.

A entidade critica a transformação de discussões eleitorais em disputas centradas em ataques pessoais e frases de efeito, que posteriormente são reproduzidas em vídeos curtos nas plataformas digitais.

Para a FENAJ, o eleitor precisa ter acesso a informações consistentes e propostas concretas para avaliar os projetos políticos em disputa, especialmente em uma eleição que define os rumos do país.

Mudanças nas regras dos debates

Diante das críticas, a federação defende que as emissoras de televisão revisem seus modelos de debates eleitorais e adotem regras mais efetivas para assegurar a qualidade das discussões.

Entre as medidas defendidas estão a exigência de respostas diretas às perguntas formuladas, a intervenção editorial diante de informações comprovadamente falsas e a responsabilização dos participantes pelo descumprimento das normas estabelecidas.

A organização ressalta que essas medidas não têm o objetivo de restringir a liberdade de expressão ou interferir na capacidade de escolha dos eleitores. A proposta, segundo a entidade, é garantir o direito à informação de qualidade e evitar que a desinformação prejudique o processo democrático.

O posicionamento também alerta para os riscos da naturalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas. Na avaliação da federação, o jornalismo não pode ignorar as consequências dessas práticas nem contribuir para sua normalização no ambiente político.

Defesa da ética e da democracia

Ao concluir a manifestação, a FENAJ reafirma o compromisso da categoria com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa da democracia.

Para a entidade, empresas de comunicação e profissionais do jornalismo precisam preservar a função pública da atividade, evitando que interesses comerciais e a busca por audiência se sobreponham à responsabilidade de informar a sociedade.

A federação resume seu posicionamento com uma crítica direta ao modelo de confronto eleitoral: debates devem servir ao esclarecimento dos cidadãos, e não se limitar ao entretenimento ou à produção de embates destinados a repercutir nas redes sociais.

A manifestação foi divulgada em Brasília, em 20 de outubro de 2026, pela Federação Nacional dos Jornalistas e pelos sindicatos de jornalistas filiados.