Lula critica ‘tesouraço’ de Flávio Bolsonaro e cobra apoio ao fim da escala 6×1

Lula critica ‘tesouraço’ de Flávio Bolsonaro e cobra apoio ao fim da escala 6×1

Presidente afirma que proposta de redução de despesas ameaça programas sociais e acusa o PL de evitar compromisso com a mudança na jornada de trabalho. Lula também rebate promessa de reajuste das aposentadorias feita pelo adversário.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou nesta quinta-feira (8) as propostas econômicas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. Lula classificou como uma “aberração” o plano de cortes de despesas, chamado de “tesouraço”, e cobrou do parlamentar uma posição favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Ao abordar a redução da jornada, Lula afirmou que, segundo informações divulgadas pela imprensa, Flávio Bolsonaro estaria orientando o PL a se abster na votação da proposta em discussão no Senado. Para o presidente, essa postura representaria uma tentativa de evitar um compromisso público com a mudança nas condições de trabalho dos brasileiros.

A discussão sobre o fim da escala 6×1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, tornou-se um dos temas em disputa na campanha presidencial, especialmente pelos possíveis impactos sobre a rotina dos trabalhadores e os custos para as empresas.

Lula aponta cortes em programas sociais

Ao contestar a proposta de redução de gastos defendida por Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que encontrou, ao assumir o governo em 2023, um orçamento com recursos insuficientes para diversas políticas públicas. Segundo o presidente, foi necessário aprovar a PEC da Transição para ampliar a capacidade de financiamento de programas e serviços federais.

Lula apresentou percentuais de redução orçamentária que, segundo ele, atingiram áreas como saúde, educação, habitação e assistência social. Entre os exemplos citados estão cortes de 59% no Farmácia Popular, de 50,7% no Mais Médicos e de 45% nas ações de prevenção e controle do câncer.

O presidente também mencionou uma redução de 97% nos recursos destinados à infraestrutura escolar e afirmou que o orçamento disponível permitiria a compra de apenas um ônibus escolar. Em contraponto, declarou que seu governo já adquiriu 12 mil veículos para o transporte de estudantes.

Na área de prevenção de desastres, Lula disse que encontrou apenas R$ 20 mil para ações relacionadas a situações de calamidade, como problemas em encostas e córregos. Ele citou ainda restrições orçamentárias no Minha Casa, Minha Vida, nas políticas de construção de cisternas no semiárido e no Sistema Único de Assistência Social (Suas).

O presidente argumentou que os cortes de despesas públicas podem atingir com maior intensidade a população de baixa renda e pediu atenção da sociedade às propostas econômicas apresentadas durante a campanha.

Aposentadorias entram no debate eleitoral

Lula também contestou a promessa de Flávio Bolsonaro de aumentar os benefícios pagos aos aposentados da Previdência Social. O presidente afirmou que, desde 2003, os reajustes acima da inflação foram uma iniciativa de seus governos, questionando a proposta apresentada pelo adversário.

As declarações ampliam o confronto entre os candidatos em torno de temas como política fiscal, financiamento de programas sociais, valorização dos benefícios previdenciários e direitos trabalhistas.

Presidente evita comentar pesquisa eleitoral

Questionado sobre a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8), que apontou Flávio Bolsonaro quatro pontos percentuais à frente de Lula na apuração dos votos válidos, o presidente evitou avaliar os números.

Lula afirmou que não orienta sua campanha pelos resultados das pesquisas e destacou que pretende concentrar os esforços nos dias restantes da disputa para conquistar novos eleitores.

O presidente também comentou a reunião com Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, realizada no Palácio da Alvorada. Lula classificou a conversa como positiva e declarou acreditar que o deputado poderá ajudá-lo na campanha.

O encontro ocorreu um dia depois de o Republicanos anunciar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. No primeiro turno, a legenda havia adotado uma posição de neutralidade na disputa presidencial.

Foto: Banco de Imagem