Candidata indígena promove “Carnafolha” no Leme com santinhos feitos de folhas
Tereza Arapium, candidata da Rede a deputada estadual, realiza ato em defesa de Lula e distribui material de campanha produzido com folhas recolhidas da natureza

A Praça do Leme, na Zona Sul do Rio, será palco, neste sábado, do “Carnafolha”, ato de campanha da candidata indígena Tereza Arapium, da Rede, que disputa uma vaga de deputada estadual. A uma semana da eleição, ela promete distribuir, a partir das 10h, novos “santinhos-folha” durante a manifestação em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
Desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, Tereza já distribuiu mais de mil peças produzidas de forma artesanal pelas ruas do Rio e em aldeias indígenas espalhadas pelo estado.
A proposta é transformar a própria natureza em material de comunicação política. As folhas utilizadas são recolhidas do chão, sem a retirada das árvores, e recebem a impressão do nome e do número da candidata por meio de um carimbo. Algumas peças também levam o nome e o número de Heloisa Helena, candidata a deputada federal pelo Rio e amiga de Tereza.
“Criamos uma campanha indígena, ecológica e sustentável, utilizando folhas de árvores que caíam naturalmente como material de divulgação, transformando a própria natureza em parte da nossa comunicação política”, explica Tereza.
A identidade visual da campanha também incorpora o jenipapo, fruta tradicionalmente utilizada por povos indígenas para pinturas corporais e que possui significado cultural e espiritual para essas comunidades.
Guia de turismo, artesã e ativista ambiental
Antes mesmo do início oficial da campanha, Tereza já recolhia folhas da árvore pata-de-vaca para produzir o material. A iniciativa une ativismo ambiental, identidade indígena e participação política.

Nascida e criada na Aldeia Andirá, no Rio Arapiuns, região do baixo Tapajós, no Pará, Tereza vive há três décadas no Rio de Janeiro. Guia de turismo, artesã e ativista ambiental, ela concorreu em 2020 a uma vaga de vereadora, tornando-se, segundo sua campanha, a primeira mulher indígena a disputar um cargo político no estado.
Para Tereza, a presença indígena na política precisa ultrapassar as referências históricas e alcançar os espaços de decisão.
“Os povos indígenas não devem ser lembrados apenas quando se fala do passado ou da história do Brasil. Estamos no presente, ocupamos a cidade, participamos da política e queremos decidir sobre os caminhos dos territórios onde vivemos”, afirma.
A candidata defende ainda a participação dos povos indígenas nos centros de decisão política sem que isso represente o abandono de suas tradições e identidades.
“Temos o direito de estar nos centros de decisões políticas, sem abrir mão da nossa identidade, dos nossos saberes, da nossa ancestralidade e da nossa luta pelos nossos territórios”, acrescenta.














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